Esta proposição é antiga e foi anunciada por Mirzá Husayn Ali no final do século IXX, como um dos pilares fundamentais para o estabelecimento de uma Nova Ordem Mundial. Coube ao Dr. Robert Mundell, professor da Universidade da Columbia de Nova Iorque, e autor da Teoria da moeda Única, dar curso às idéias daquele sábio de origem persa. O eminente professor, Prêmio Nobel de economia em 1999, é considerado o pai do Euro; moeda que circula entre os 305 milhões de europeus. O segundo passo, num futuro mais distante, será a criação de uma moeda internacional, forte, para as transações comerciais e servir de reserva de valor para todos os países. A crise atual, originada nos Estados Unidos e levada de roldão para toda a economia mundial, enfraqueceu ainda mais a moeda americana, a qual vem demonstrando não ter condições de continuar funcionando como moeda internacional e de reserva dos Bancos Centrais. Trinta e oito anos já se passaram, quando o dólar perdeu a sua convertibilidade em ouro. Com o advento do Euro, os países europeus e os exportadores de petróleo já vêm substituindo o dólar nas suas transações comerciais. Até mesmo a nossa Gisele Bunchen só aceita contratos em Euros! O domínio do dólar sempre conferiu aos Estados Unidos um verdadeiro privilégio, pois é o único país que pode emitir e pagar as suas dívidas com a sua própria moeda. Além do desemprego, recessão, déficits fiscais gigantescos, (13% do PIB) enormes gastos militares, uma dívida externa impagável de US$9,5 trilhões de dólares, devido aos sucessivos déficits no balanço de pagamentos, os Estados Unidos vêm sendo totalmente financiados pelos países superavitários e os investidores institucionais, pois o gigante do norte consome mais do que produz e continua promovendo desequilíbrios econômicos colossais e insustentáveis. Com a crise atual, o seu déficit fiscal aumentou ainda mais, face aos enormes gastos para financiar as operações de socorro aos bancos e às agencias hipotecárias; tudo coberto com a emissão de mais moeda. Em decorrência, a sua taxa de inflação, que em 2008 foi de 2,7%, já se encontra em 4%. Até quando vai durar este fluxo gigantesco de capitais que vem financiando a sua dívida externa? Qual a segurança que os Estados Unidos oferecem para honrar os seus compromissos presentes e futuros? A China, que tem US$1,5 trilhão de dólares aplicados em títulos do tesouro americano, anunciou que a crise de credibilidade da moeda americana coloca em risco o sistema monetário internacional e que está avaliando diversificar suas aplicações. Durante a última reunião do Grupo G8, o presidente russo, Dmitry Medvedev, ilustrou o seu apelo para a criação de uma moeda corrente supranacional, para substituir o dólar, tirando do seu bolso uma amostra daquela moeda. “Aqui está,” disse o presidente se dirigindo aos repórteres em L’aquila, uma província da Itália. Na moeda, que foi cunhada na Bélgica, estava escrito: “unidade na diversidade.” Acrescentou que se trata de parte de um esforço para resolver a crise financeira mundial, enquanto questionava o futuro do dólar como moeda corrente e de reserva global. O Brasil, com os seus U$200 bilhões de dólares, deveria, gradativamente, começar seguir o exemplo chinês, até porque, como diz o adágio popular, “não se deve colocar todos os ovos numa mesma cesta.”