O poeta assume o seu tempo, ante um mundo descolorido que, à primeira vista, não rima com poesia, mas é comprometido com a verdade. Com uma verdade que o seu olhar, isto é, a sua maneira de enxergar e analisar reproduz. E sua realidade já não se realiza na poesia. O mundo nunca é poético. Ao contrário, o exterior que o cerca é frio e triste. E o poeta sente a dor de nhão falar com versos de beleza e alegria, mas persiste. Seu apelo reflete, num conjunto, a imagem que o entristece.
Preocupando-se com a mudança de uma sociedade, busca diagnosticar os problemas, conciliando poesia, razão e história - difícil tarefa - ante a fragmentação desse mundo moderno. E continua a chorar, a sofrer.
O poeta situado, hoje, num novo tempo é ainda o poeta. Insatisfeito sonha e chora. E assim, sempre, será porque ele é um insatisfeito por natureza. Não pelo simples fato de ser, mas por ser e ter um outro olhar que ultrapassa a materialidade desse mundo.
Uma das reflexões de Otávio paz é sobre a perda da imagem do mundo e o aparecimento de uma linguagem composta pela técnica e a crise de significados,
Na verdade, já não encontramos, na poesia moderna, a preocupação que havia na poesia realista com a simbologia e a capacidade de identificar o tempo histórico através de imagens, de um vocabulário cercado de ironias que buscam mostrar detalhes significativos de uma sociedade.
O homem presente é o próprio murmúrio buscando a palavra.
Mas, há ainda o lirismo. É verdade que alguma coisa se rompeu, mas não foi o lirismo.
Ele está aí, refletido, porém, de acordo com o tempo do poeta.
O poeta é dono do seu tempo. E seja qual for a técnica ou a linguagem que utilizar, sempre haverá indícios de um tempo de transformação e, portanto, crítico e voltado ao desejo de igualdade ou um tempo veloz desejoso de tudo e de nada.