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Artigos-->IR A ROMA E NÃO VER O PAPA! -- 17/11/2009 - 11:14 (Divina de Jesus Scarpim) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
É tudo que eu aconselharia a alguém... Não estou me referindo só ao papa, papa mesmo, aquele velhinho que se acha representante de deus na terra, se não o próprio deus... Estou me referindo ao Vaticano, o menor país do mundo e, seguramente um dos mais chatos!



Fui a Roma esse fim de semana, que foi prolongado na França, na Itália e talvez na Europa, porque é uma data religiosa qualquer que eu não entendi bem qual seja. Pois bem, saímos de Paris à tardinha e pegamos um trem-dormitório, que eu pensei que fosse algo bonito e romântico mas que não é nada disso... é um trem velho, com cabines onde cabem seis pessoas, três a três, um trio de frente para o outro, em bancos razoavelmente confortáveis; em cima vê-se logo duas camas, uma de cada lado, quando anoitece a gente puxa o encosto e ele se torna uma cama, enquanto que o assento é outra cama e, Zalum! Temos seis camas para seis pessoas...



Na ida fomos com uma família italiana composta de mãe, pai e filho adolescente, apesar de não falarmos italiano e de eles não falarem português nem francês, nós até que conversamos bastante, principalmente os dois homens porque o Nêgo queria aprender italiano em uma noite e o cara era simpático e agradável o suficiente para tentar ajudar. Além de nós e dessa família havia um africano muito calado que quase não falou com a gente, nem em inglês que ele parecia saber já que foi como falou com o fiscal que veio buscar os passaportes e que tanto o Nêgo quanto o outro homem sabiam. Parecia que ele não estava mesmo a fim de conversar...... Eu só soube que era africano porque numa certa altura ele falou com alguém no celular e era a mesma língua (ou muito parecida) que eu ouvia muito quando estava na Espanha.



A viagem durou bem mais do que o esperado porque o trem ficou, a altas horas da noite, parado por muito tempo duas vezes. De manhã o Nêgo ouviu conversas de que teria sido uma vez por causa de uma tempestade e a segunda vez por causa de um “pente-fino” na fronteira, o fato é que era para a gente chegar a Roma às 10 da manhã e acabamos chegando ao meio dia... mas como a companhia estava bastante agradável nem foi assim tão aborrecido. Na volta viemos com quatro mulheres, duas jovens e duas mais velhas, eram orientais, de Cingapura, e falavam inglês, o Nêgo conversou bastante com elas, eu bem pouco porque meu inglês é um desastre! Não teve atraso.



No primeiro dia entramos no Coliseu e no espaço onde está o Fórum e o Palatino romano, esse espaço é imenso e quando deu a hora de fechar a gente ainda não tinha andado nem metade, mas o ingresso valia por dois dias e poderíamos ter voltado no dia seguinte... poderíamos!



O problema foi que resolvemos, apesar do nosso espírito não religioso, ir ao Vaticano, afinal, é voz corrente que não se pode ir a Roma sem ver a Capela Sistina e o museu do Vaticano, além da imensidão impressionante da praça e da catedral de São Pedro; inclusive, a mulher que viajou conosco disse que ver a Capela Sistina causava uma emoção que ela definia com uma palavra que significa algo que supera o deslumbramento, nós quisemos saber que emoção era essa: Foi uma das piores besteiras que já fizemos na vida!



Chegamos e vimos uma fila imensa, mas somos otimistas e achamos que ela estava rápida e que a entrada era logo à frente onde dobrava a muralha, então ficamos na fila... sol quente, calor, e cerveja a quatro euros o copo (copo, não latinha!). Três horas depois entramos, três horas porque a entrada era bem mais à frente do que a gente tinha pensado; vimos que tudo era grande, inclusive o caminho até a Capela Sistina... A gente seguia as indicações nas placas e as pessoas, que eram muitas e iam na mesma direção que a gente... Pensávamos que a capela estava logo ali e ela simplesmente nunca chegava... Eu estava com dor, minha fibromialgia se manifestou com tudo e não quis tomar o último comprimido para dor que era do Nêgo... Nunca vi e duvido que vá ver alguma vez na vida uma capela mais difícil de se chegar do que essa!



Eu já estava querendo dar meia volta e sair de lá, desistindo sem remorso de qualquer emoção acima do deslumbramento em nome da minha sanidade mental que já começava a ser afetada pela dor e pela raiva, mas não o fiz porque nunca daria para saber se de repente para voltar não teria que andar mais ainda do que pra chegar na maldita capela!



A cada trecho que se andava tinha um balcão vendendo bugigangas; eram rosários e medalhinhas, estatuetas e livrinhos, reproduções e postais... As obras expostas nos salões não tinham nenhum cartão com referência, nenhum nome, nenhuma explicação, tinham apenas um número e se você quisesse saber do que se tratava tinha que comprar os livros que falam tudo sobre o Vaticano ou então pagar pelo tal aparelho no qual você aperta a tecla indicada e ouve, na língua que escolheu, a explicação que qualquer museu que se dê esse nome tem ali, ao lado da obra.



Finalmente, depois de muitos quilômetros de caminhada e de passar por muitas lojinhas, chegamos à tão famosa Capela Sistina e... Surpresa! Lá não pode tirar fotografia, mesmo sem flash... Deve ser pra obrigar quem ainda não o fez a comprar uma reprodução colorida ou um livro com cada parte detalhadamente explicada como se fosse pelo próprio Miguelangelo... Eu já estava cantando a musiquinha em ritmo do parabéns a você em inglês:



O Papa é um filho da puta

O Papa é um filho da puta

O Papa é um filho da putaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!

Ninguém pode negar!

Ninguém pode negar!



Saí de lá furiosa, não senti emoção-mais-que-deslumbramento nenhuma e acho que o próprio Miguel ficaria muito puto se soubesse a sacanagem que estão fazendo com ele. Claro que a pintura da Capela é linda, claro que tem muita coisa bonita naqueles corredores todos que a gente é obrigado a seguir para chegar até ela, mas toda a beleza fica perdida no meio da raiva, do desconforto e da exploração.



E eu achei que já tinha esgotado toda a possibilidade de sentir raiva do papa quando finalmente consegui sair daquele lugar, encontrar um restaurante simpático e comer uma gostosa refeição fechada por um limoncello maravilhoso quando, voltando pelo lugar de onde viemos, vimos que da fila de três horas que enfrentamos não restava nem vestígio! As pessoas que passavam estavam saindo de lá, pouquíssima gente estava entrando, não havia mais fila nenhuma e era pouco mais do que três horas da tarde! Nós nos sentimos dois perfeitos imbecis, perdemos o ingresso que já estava pago para o Fórum e o Palatino e perdemos praticamente um dia todo de uma viagem de apenas três dias em uma cidade que tem milhões de coisas mais interessantes para ver do que o antro do filho da puta do papa!



O dia seguinte passamos andando pela área do Palatino, fomos ao Circo Máximo e ao Panteón e, nesse caminho que fizemos, desviamos de tudo que tivesse relação com papa ou igreja católica!



Foi um dia perfeito!

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