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Artigos-->VIAGEM À ESPANHA (parte seis) -- 17/11/2009 - 17:50 (Divina de Jesus Scarpim) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
O Daniel ficou deslumbrado com Toledo, aquela imensidade de lojas vendendo armas e espadas fantasias o deslumbraram. Andamos muito, jantamos em uma cafeteria e fomos dormir em um hostal bastante agradável. O ruim desse passeio foi que no dia seguinte descobri que havia esquecido na cafeteria onde jantamos a bolsinha que levava à tiracolo e onde estavam o telefone celular, dois rolos de filme sem usar, um baton e um chaveirinho que eu havia comprado há poucas horas em uma das muitas lojas que entramos. A perda maior e maior preocupação, é claro, era o celular. Voltamos à cafeteria e perguntamos para o rapaz do balcão mas ele afirmou que não havia encontrado nada e que ninguém lhe havia entregue nenhuma bolsa encontrada em qualquer cadeira da cafeteria. Eu me senti mal, é claro, pela perda dos objetos e pelo aborrecimento do Nêgo com o meu esquecimento, mas mesmo assim me senti feliz porque pensei que não havia na bolsa nenhum documento importante e que o que tinha lá dentro ao fim e ao cabo era apenas dinheiro e o preço, se aquele foi um, por ter meu filho e meu marido do meu lado, vivos e bem, foi barato, muitíssimo barato.



Passamos uma parte do dia andando pela cidade, o que valeu muito e foi BM demais porque a cidade é cheia de coisas legais para ver além das lojas que vendem espadas, adagas e punhais. A cidade tem bons restos de muralha e um portal medieval muito lindo; tem também uma igreja enorme ainda com os ganchos no alto onde penduravam pessoas presas em gaiolas para morrerem de fome e serem devoradas pelos urubus – tudo em nome de deus – e tem um museu de El Greco e uma mesquita que nós acabamos não visitando porque o Daniel só queria saber de ver lojas de espadas. Andamos muito, compramos uma espada e um punhal para o Daniel que na verdade queria quase todas e depois voltamos para Vigo, chegamos à noite trazendo nosso filho para apresentar a ele nosso apartamento e a cidade onde vivemos três meses sem ele. Foi aí que ele recebeu os presentes de aniversário que os convidados da “festa de aniversário sem aniversariante” tinham trazido pra ele quase um mês atrás.



Durante o mês que ele ficou aqui, enquanto o Nego estava trabalhando nós dois saíamos andando a pé pela cidade de Vigo. Ver as várias estátuas: os cavalos desafiando a lei a gravidade na Praça Espanha, o homem-ave muito esquisito da Porta do Sol, a estátua estilizada da Europa montada no touro que era Zeus da Avenida Samil, o imenso portal sobre espelho d’água da Praça América, os lindos homens pelados puxando a rede no início (ou final) da Gran Via e o “ferreiro” no meio de uma praça cujo nome não me lembro e que ficava perto do porto; aliás, como Vigo é pequena quase tudo fica perto do porto. Vimos as praças, as casas antigas e assobradadas do “casco viejo” que é a parte mais antiga da cidade - a gente chega a imaginar as mulheres conversando nas janelas, cada uma de um lado da rua, e elas quase que poderiam se dar as mãos. Fomos também várias vezes passear pela praia e a primeira pergunta que o Daniel me fez depois de observar bem as pessoas, principalmente os jovens, pela cidade toda foi: “Como é que esse povo se reproduz?” Ele atentou para o detalhe de que é raro ver casais de namorados e mais raro ainda ver rapazes paquerando garotas e vice-versa. Se você está em um determinado lugar e tem um grupo de moças e um grupo de rapazes você não vê os dois grupos se tornarem um, como é tão comum por aqui. E olha que estávamos em dezembro e o Daniel não pode ver como nas areias da praia durante o verão acontecia a mesma coisa. Grupos de garotas sentavam-se na areia, brincavam, faziam topless, entravam e saíam da água e os rapazes ficavam por perto sem nunca se aproximarem para conversar com as meninas e tentar “ganhar uma” como é tão comum por aqui. Outra coisa que impressionou muito o Daniel foram os grossos e bem marcados riscos brancos deixados pelos aviões no fundo azul do céu, eles são muitos, acho que por causa da temperatura mais baixa, não sei...



Bem, viramos Vigo de “cabeça pra baixo” em nossas andanças, mas um dos passeios mais gostosos que fizemos, e um dos poucos que eu não tinha feito sozinha antes de ele chegar foi ao ponto mais alto da cidade, o Monte de La Guía. Além de ser um lugar antigo, com uma igreja muito velha e restos do que talvez tenha sido uma muralha, o lugar permite uma linda vista da cidade com seu mar todo azul e seu porto limpo, lindo e pleno de gaivotas brancas. Eu posso dizer que em sete meses pude conhecer Vigo muito bem, conhecer seus caminhos, suas lojas, suas belezas e, garanto com plena certeza: Vigo é uma cidade linda! Quem pensa que só no Brasil tem lugares bonitos e pessoas agradáveis é porque não viajou, porque é homofóbico ou porque não olhou direito, com olhos desarmados, os lugares e as pessoas que encontrou pelos lugares do mundo. Não fui a tantos assim, mas se teve algo que aprendi foi que gente é gente em qualquer lugar do planeta, as pessoas são boas e más, são simpáticas e antipáticas, são educadas e grossas são preconceituosas e tolerantes. E todos os países são belos, cada qual com suas belezas, diferentes e, por isso mesmo, maravilhosas. Viajar é um bom remédio contra preconceito se você souber se abrir.

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