Imaginem a seguinte situação: guarda
escalado na guarita do alambrado, dia quente, tempo não passa, sem muito o que
fazer a não ser assistir o vagabundo jogar bola, andar de um lado pro outro,
quando não vem encher a paciência pra jogar conversa fora ou simplesmente tirar
dúvida sobre assuntos que nenhum malandro que honrasse a matrícula iria
abordar. Entre uma visita do chefe aqui, um bate papo com o parceiro ali, uma
ronda pra ver se tudo corre tranquilamente, eis que, no sentido oposto ao que o
funcionário está, o preso pula o alambrado rapidamente, escala o segundo
alambrado com uma velocidade duas vezes maior que o normal e, ao chegar à rua,
um carro já está esperando pelo dito cujo, com outros indivíduos, armados até
os dentes ou não, para, logo em seguida, pegar a estrada e consumar a fuga. Ou
pior, o preso pula o primeiro alambrado, pega algo que pode ser tijolo de
maconha, arma, caixa com celulares, o que quer que seja, joga pela cerca, pula
de volta e corre pro alojamento. Ou pior ainda... horário do sol, população
solta, não se vê ninguém indo embora pelo alambrado, mas, em algum ponto cego,
o ladrão, sabendo o horário da contagem e de demais ocorrências, ou
simplesmente tendo como ser avisado caso a coisa saia do controle, sai durante
o dia na surdina, vai até a boca pra administrar seu negócio ou mesmo apenas
pegar droga para trazer pra cadeia e obter seu lucro. Se você é piolho, já sabe
de onde eu estou falando e onde isso pode acontecer: ala de progressão do
regime semiaberto.
Total impossibilidade de se manter o
preso encarcerado, salvo pela vontade do mesmo; ciência do preso de que, em
caso de fechamento de cadeia, seis meses depois vai estar de volta ao regime e
que, se cair fazendo uma fita para os irmãos, vai ficar bem visto entre os companheiros
de cárcere; inutilidade de revistas de visitantes e funcionários, haja visto
que só o que existe em volta das instalações é alambrado, o que torna a vida do
malandro muito mais fácil; e, como não poderia deixar de ser, um gasto
considerável do Estado para se manter essas instalações que são verdadeiros
favelões e que não melhoram em nada nem a vida do preso, nem a vida de quem
trabalha nas unidades em que existe este regime.
Acredito que não falei merda, que
realmente é o que ouvimos e sabemos ser verdade pelo fato de já termos ou
trabalhado no semiaberto ou conhecido pessoas que ali trabalham, então, fica a
pergunta... não seria hora desse regime ser extinto, haja visto que é um
desperdício de dinheiro público, uma responsabilidade a mais para o Estado
(leia-se, funcionários) e que não vai manter ninguém necessariamente preso,
salvo pela própria consciência? E que consciência tem o criminoso, esse
indivíduo que destrói e tira vidas por dinheiro, só se mantendo onde está
porque tem seu próprio interesse em estar ali, não porque está interessado em
voltar ao convívio da sociedade e se tornar um membro respeitável dela? Não
seria mais interessante, caso o criminoso esteja em lapso temporal de obter
benefício, fosse colocado simplesmente em regime aberto, com tornozeleira
eletrônica, e fosse monitorado conforme previsto em lei, aliviando não apenas o
corpo funcional como, consequentemente, levando os que atuam no regime
semiaberto para o fechado, onde seriam mais úteis?
Espero gerar uma discussão sadia por
parte dos companheiros, haja visto que acredito ser o assunto de interesse de
todos. Mantenhamos o foco...