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Artigos-->O Brasil na xilogravura da imprensa inglesas do século XIX -- 31/07/2022 - 16:01 (LUIZ CARLOS LESSA VINHOLES) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

O Brasil na xilogravura da imprensa inglesas

do século XIX

L. C. Vinholes

 

Nota: preparei este texto, em português e italiano, para constar da brochura distribuída à imprensa e ao público que visitou a exposição realizada de 13/09 a 12/10/1999, no Salão de Eventos do Instituto Brasil-Itália (IBRIT), com apoio do Consulado Geral do Brasil em Milão. A versão em italiano deve-se à colaboração de Cristina Boati e Anna Maria Scarparo. As 32 gravuras eram as de minha coleção particular, hoje pertencentes ao acervo do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, instituição vinculada à Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

As gravuras apresentadas nesta mostra são, provavelmente, um dos últimos exemplos do uso da xilogravura para clichês ilustrando notícias pulicadas nos jornais do século XIX, apesar de que a fotografia e os seus aproveitamentos já fossem conhecidos.

O The Illustrated London News, um dos mais representativos órgãos da imprensa europeia, estava entre as mais importantes fontes de informação não apenas com relação aos eventos diários na Inglaterra, mas, também, com respeito ao envolvimento deste país com as atividades de outros governos.

Além da Inglaterra e Portugal serem aliados contra as ambições de Napoleão na Europa, os dois países mantinham estreita cooperação no que diz respeito ao desenvolvimento do Brasil. Um exemplo é que, embora os ingleses tivessem grandes interesses nas minas de ouro da Califórnia, em 1829 adquiriam a mina de ouro de Morro Velho, na Região de Minas Gerais que, até então, pertencera ao padre português Freitas. Os novos proprietários, capitão Lyon e seus associados incrementaram o equipamento usado e intensificaram a exploração e, em 1834, transferiram todos os bens da mina à Companhia São João Del Rei, na qual chegaram a trabalhar 1.100 pessoas. A fim de despertar o interesse do povo e justificar a participação econômica e tecnológica da Inglaterra também em projetos de construção de estradas de ferro, docas secas, pontes, etc. na colônia portuguesa, o The Illustrated London News dedicava significativo espaço às notícias e ilustrações relacionadas ao Brasil. Paisagens e vistas panorâmicas das principais cidades e de novos povoados e registros visuais de importantes eventos, estavam entre as principais matérias por ele publicadas de 1845 a 1894. Em ocasiões especiais, espaços eram dedicados aos últimos Senhores do Império do Brasil, D. Pedro II (1825-1891) e a Imperatriz Teresa Cristina Maria (1822-1889).

Infelizmente, as informações disponíveis sobre os artistas que participaram das diferentes fases do processo que permitia a criação das matrizes de madeira para as impressões são inexistentes ou muito escassas. Exemplos: B. Merlock, “um artista especialmente envolvido pelo produtor para registrar vistas”, Daniel M. Fox “um engenheiro residente da estrada de ferro” e Mora “de 707 Broadway, New York”, são fotógrafos mencionados nos textos. Algumas vezes, croquis eram feitos in loco e enviados à Inglaterra. Entre os autores destes croquis, que assim como as fotografias eram usados para produzir as matrizes das xilogravuras exibidas nesta mostra, são mencionados os nomes de J. Gilbert e Melton Prior como “artistas especiais”. A última etapa na preparação das matrizes para a impresso das ilustrações era realizada pelos gravadores. Poucos deles têm seus nomes constantes das matrizes e outros apenas suas iniciais ou simples monogramas com as letras dos seus nomes. Algumas das matrizes para as xilogravuras exibidas nesta mostra foram gravadas por R. Taylor, M. Jackson, A. Naumann, Dalton, George C. Leighton e R.C.A.

Tecnicamente, estas xilogravuras não foram feitas com lâminas de madeira cortadas da forma tradicional como eram cortadas as tábuas, ao longo dos troncos. Para evitar que os veios ou nós existentes nos troncos interferissem nas imagens a serem gravadas, eram utilizados tacos resultantes do corte transversal dos troncos. Sobre estas seções eram gravadas as imagens a serem reproduzidas. Daí ausência nestas xilogravuras de marcas de veios ou outros sinais próprios do crescimento dos vegetais. Olhos mais atentos poderão encontrar as linhas que resultam da justaposição de tacos colados uns aos outros para criar matrizes maiores. As xilogravuras que apareciam nas páginas do The Illustrated London News, enriquecendo as notícias enviadas pelos correspondentes, eram publicadas em preto e branco, como fazia toda a imprensa da época. Mas aquelas mais apreciadas pelos assinantes e leitores eram recortadas e coloridas por aquarelistas especializados, muitas vezes ganhando maior riqueza sob o ponto de vista visual e se tornando objeto de decoração apreciado, como a intitulada “Vendedora de frutas”, de 1856, desta mostra.

No início do século XIX, Portugal, tradicional aliado do governo de Londres, não quis participar do bloqueio de Napoleão contra a Inglaterra. Esta posição firme resultou na invasão do Reino de Portugal pelo exército napoleônico do marechal Junot.

Em 1808, com a ajuda da armada inglesa, a Família Real portuguesa do príncipe regente D. João, que seria D. João VI, e a Corte deixaram Lisboa para o Rio de Janeiro. Em consequência da presença da Corte portuguesa no Brasil a colônia foi transformada em metrópole, com seus portos abertos às nações amigas, e, em 1815, elevada à condição de Reino Unido de Portugal e Algarve. Em 1821, D. João VI retorna a Portugal, mas o Brasil não mais voltaria a ser colônia. Em 1811 D. Pedro II, o Regente do Império do Brasil, declarou sua independência de Portugal e tornou-se o Imperador do Brasil.

As boas relações entre Inglaterra e Portugal foram intensificadas quando, em 1810, os dois países assinaram o Tratado de Comércio, Navegação, Aliança e Amizade quando, em 1825, a Inglaterra, ao mesmo tempo de Portugal, reconheceu a independência do Brasil. Como gesto de contrapartida ao reconhecimento inglês, o Brasil reviu o Tratado de Strangford de 1810, sobre comércio e navegação. Anos depois, em 1861, como resultado da disputa sobre os restos do navio inglês, a conhecida Questão Christie, o Brasil rompeu suas relações diplomáticas com a Inglaterra. Em 1863, os dois países restabeleceram suas relações diplomáticas e, novamente, foi intensificada a participação do capital e da tecnologia britânica no desenvolvimento do Brasil.

Em 1872, o primeiro recenseamento geral do Brasil revelou que a população era de 9.930.478 habitantes e que o país não só havia triplicado o número dos seus habitantes que, no início do século, era estimado em 3.200.000, mas, ao mesmo tempo, se afirmado no âmbito da família das nações e criado um importante mercado interno que, ainda hoje, continua a expandir e interessar não só à

 indústria brasileira, mas, também, à de outros países.

 

 

 

 

 

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