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Artigos-->UM NOVO MALG - O museu de Pelotas -- 06/08/2022 - 16:40 (LUIZ CARLOS LESSA VINHOLES) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

UM NOVO MALG[i]

O museu de Pelotas

L. C. Vinholes

Minha preocupação, ou melhor, meu interesse pelo Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (Malg) iniciou em 27 de maio de 1995, dia da inauguração da exposição em homenagem à Suzu da Península de Noto, no Japão, cidade irmã de Pelotas há mais de meio século.

Conforme registro do Diário Popular daquela data, o evento tendo como tema O Japão do século XIX, exibiu um conjunto de vinte xilogravuras, incluindo as conhecidas como “ukiyo-e”,  produzidas por equipes de gravadores fixando em placas de madeira obras criadas por artistas que se preocupavam em retratar a realidade social da sua época, e dez gravuras inglesas que tinham como finalidade precípua documentar aspectos da vida e da história dos japoneses bastante desconhecidos dos ingleses de então.

A mostra, realizada em Pelotas e que havia sido exibida em Brasília, ficou aberta até 16 de junho daquele ano; foi um projeto conjunto das Universidades Federais de Pelotas e do Pará, da Fundação Athos Bulcão e do Núcleo de Arte e Cultura, de Brasília; contou com o apoio da Associação Cultural Nippo-Brasileira de Pelotas; e teve como principal objetivo fazer parte da programação das homenagens ao Centenário do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação, o primeiro assinado entre o Brasil e o Japão em 5 de novembro de 1895, em Paris. A exposição no Malg teve brilho especial por ter contado, no ato de inauguração, com a presença de autoridades de Suzu: o vice-prefeito Riyoko Tabata e o secretário-geral da prefeitura Keizo Osamu.

Voltando ao tema relativo ao MALG, cumpre registrar que, à época da referida mostra, sua sede era a modesta e acanhada casa sita à Rua Feliz da Cunha, Nº 818, uma das tantas residências que, pouco a pouco, começavam a perder sua razão de ser, sendo adaptadas a sediar instituições diversas, principalmente as de caráter comercial.

O MALG contemporâneo também ocupa e, habilmente, desenvolve suas atividades em prédio alugado, construído em 1876 para abrigar a família do espanhol Francisco Alsina, chegado a Pelotas em 1860. Reformado em diversas ocasiões, tem, embora ainda insuficiente, muito mais espaço do que o anterior, mais luz natural nas áreas de exposição, mas peca por não ter instalações adequadas à administração, ao depósito, à reserva técnica, ao laboratório de  restauro, ao auditório, às salas de projeção, pesquisa e de exposições concomitantes e, ainda mais, um pé direito de altura que dificulta e encarece o controle adequado da temperatura e da umidade. Logicamente, no Novo MALG o espaço mais importante a ser criado será a sala de exposição permanente com quadros do pintor que lhe dá o nome, assim evitando que, quando montada uma mostra resultante do entendimento e da colaboração com outra instituição do gênero, as obras de Gotuzzo passassem a ocupar espaço menos nobre.

Imaginando que hoje seu rico e diversificado acervo possui cerca de 3.000 peças, distribuídas em sete coleções, não seria despropósito deixar, definitivamente, os prédios impróprios e alugados e pensar em dar ao MALG sede própria adequada às suas nobres funções, não só como instituição de arte e de cultura, mas também de cartão postal da cidade que dele se orgulha, prédio construído em área de espaço generoso, distante do ambiente poluído da área urbana, permitindo discreto ajardinamento, área com café e confeitaria para pausa dos visitantes e, também, o indispensável espaço de estacionamento. Por estar administrativamente ligado à Universidade Federal de Pelotas, o Novo Malg, paralelamente às suas atividades tradicionais, poderia sistematizar  um programa paralelo  de  visitas coletivas de grupos de idosos, de membros de associações diversas, principalmete, de alunos das escolas públicas viabilizando à população jovem conhecer e adquirir conhecimentos básicos sobre as diferentes manifestações das artes visuais. Tais visitas seriam facilitadas por transporte próprio do museu para tazer e levar seus participantes que, durante as visitas, contariam, ainda, com monitores adrede escolhidos dentre os universitários em fase final de formação.

Construido o Novo MALG, aproveitando obras da sua rica e variada reserva técnica, poderiam ser programadas exposições temáticas diversas, escalonadas ao longo de, por exemplo, dois anos, anunciadas com antecipação em material de divulgação pertinente, distribuído não só em Pelotas, mas, principalmente, nas demais cidades do Rio Grande do Sul e dos demais estados, bem como nas capitais dos países do Mercosul, origem de grande parte do visitante que procura conhecer Pelotas e desfrutar do que ela oferece.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        Para está tarefa far-se-ia indispensável engajar companhias de transporte aéreo e terrestre, do Brasil e do exterior, que têm como objeto do seu trabalho a movimentação de viajantes e escurcionistas interessados no turismo cultural,  hoje uma tendência mundial gerando dividendos. Este aspecto do projeto de um Novo MALG, certamente interessaria aos investidores que acreditem em uma visão universal do valor das instituições dedicadas à arte e à cultura e, ao mesmo tempo, traria benefícos aos diferentes seguimentos da sociedade e do mundo dos negócios da Princeza do Sul. Recordando a opinião do arquiteto Ismael Solé, responsavél pelo projeto de restauro do Theatro 7 de Abril[ii], de portas fechadas há mais de cinco anos, “é necessário fazer uma reflexão das forças vivas da cidade para que todo o acervo se transforme também em um negócio[iii]”.

 

Os parágrafos acima foram escritos em 6 de julho de 2016, não tiveram divulgação na imprensa e só foram conhecidos por um limitado número de profissionais relacionados às artes plásticas. Naquela ocasião, não seria ético de minha parte tornar público este texto, pois estavam a pleno vapor as negociações entre a Municipalidade, a UFPel e a direção do museu que, exitosamente, resultaram na mudança do MALG para o prédio que ocupa, desde sua recente instalação, no prédio que abrigou a mais que centenária Escola de Agronomia Eliseu Maciel da Praça Sete de Julho, Nº 180.

 

Pelas informações recebidas, a aproximação do museu com o público pelotense que, diariamente, transite pela área central da cidade e ao redor da Praça Coronel Pedro Osório com seus prédios históricos - merecendo destaque o Theatro 7 de Abril, o Theatro Guarany, o Conservatório de Música, o Clube Comercial, os Casarões, o Mercado Central, a Biblioteca Pública e a Prefeitura Municipal -, fez com que, longe do trânsito pesado e ruidoso da Rua Osório e da dificuldade de estacionamento, a visitação do MALG, antes limitada em menos de duas centenas por mês, agora, segundo fonte do museu, ultrapassasse ao milhar de visitantes no mesmo período.

 

Convenhemos que, neste momento, em que a pandemia não termina e as universidades e as demais instituições de ensino e pesquisa passam por penúria nunca vista, não é oportuno tratar do assunto abordado neste texto, mas, embora as presentes circnstâcias sejam reais e as piores, nada nos impede continuar a pensar e planejar a concretização de novas instalações para o Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo do amanhã, aproveitando ideias e opiniões que complementem e ampliem as acima mencionadas.

 

Não pode ser esquecido que a construção de novas instalações para serem utilizadas pelo MALG já foram objeto de conjeturas das administrações anteriores, inclusive apontadas as possibilidades de aproveitamento dos espaços pertencenes à UFPel, próximos ao atual Centro das Artes.

 

 

[i] Este artigo foi concebido no final do primeiro semestre de 2016 quando estavam em fase final as negociações e decisões relativas à mudança do MALG da sede provisória da Rua General Osório nº 180, para o prédio em frente ao Mercado Central, onde se encontra até hoje em caráter permanente. Ao tomar cohecimento da iminente mudança do museu, o autor concordou em não publicar este artigo, mas não abandonou a ideia da criação de um projeto para ampliar suas atividades e, então, atender plenamente ao público em geral e aos interessados de diferentes áreas do conhecimento.

[ii] O restauro do prédio do Theatro 7 de Abril foi concluído em 2021, sob a direção do artista plástico e fotógrafo Giorgio Ronna.

[iii] Entrevista ao Diário Popular, em 05/01/2016.

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