DADOS DO GRAVURISTA LIVIO ABRAMO SUA VIDA E ATIVIDADES
L. C Vinholes
05.03.2025
Nota: Valendo-me mais uma vez do catálogo da Exposição Retrospectiva de dezembro de 1967, de recorte de jornais e de outras fontes, resumi os dados abaixo que dão uma ideia da formação e das experiências do “pai da gravura moderna” do Brasil.
Livio Abramo, nascido em 1903, em Araraquara, Estado de São Paulo, Brasil, natural da Itália. Falecido em Assunção, Paraguai, em 26 de abril de 1993. Autodidata na área de arte.
Iniciou a gravura em 1926, sob influência de Oswaldo Goeldi (1895-1961), e, durante muitos anos, formou com ele o primeiro pequeno grupo de xilogravuristas modernos do Brasil.
Expôs pela primeira vez em mostras coletivas em São Paulo em 1935, 1937, 1938, 1939. Em 1942 realizou sua primeira exposição individual em São Paulo, e a segunda em Roma, em 1948. Em 1950 recebeu o 1º Prêmio no Salão Nacional de Arte Moderna de Janeiro, que lhe concedeu o Prêmio Viagem ao Exterior. Entre 1951 e 1953, acompanhado de sua filha Larrisa, visitou a Itália, Suíça, França, Bélgica, Holanda, Espanha, Londres e Estocolmo, enquanto desfrutava de seu prêmio.
Jornalista de profissão, colaborou como tal em diversos jornais e publicações de São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades brasileiras. Ilustrou diversos livros com xilogravuras, entre eles Pelo Sertão, em edição especial, obras de Fiódor Dostoiévski, Nikolai Gógol e outros.
Em 1951 teve Sala Especial na 1ª Bienal de São Paulo, na 2ª, em 1953 obteve o 1º Prêmio de Gravura e concorreu nas demais, exceto na 5ª e na 7ª. Na 6ª Bienal, em 1961, mereceu uma segunda Sala Especial. Representou o Brasil nas Bienais de Veneza de 1950, 1952 e 1954. Em 1957 realizou uma exposição retrospectiva de suas obras no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e uma exposição individual em São Paulo.
Integrou o Júri Internacional da 4ª Bienal de São Paulo (1957) e foi membro do Conselho Diretor do Museu de Arte Moderna de São Paulo entre 1956 e 1959. Em 1956, a convite da Missão Cultural Brasileira, realizou exposição individual em Assunção. Nessa ocasião, junto com outros artistas paraguaios, fundou a Oficina de Gravura Julián de Herrería[i], na Missão Cultural Brasileira.
Participou de exposições internacionais de gravura realizadas entre 1955 e o presente em Lugano, Zurique, Munique, Stuttgart, Berna, Gênova, Londres, Tokyo, Nova York, Montevidéu, Filadélfia, Assunção, Santiago do Chile, Buenos Aires, Munique, Liubliana, além de participar de exposições coletivas nas principais cidades do Brasil.
Em 1960, com a gravadora Maria Bonomi, fundou o Estudio Gravura São Paulo que teve particular influência no desenvolvimento da gravura paulista.
Na 6ª Bienal de São Paulo, em 1961, foi um dos organizadores da histórica exposição Arte Sacra nas Antigas Missões do Paraguai, que obteve grande sucesso e repercussão nos meios artísticos brasileiros e internacionais.
Há gravuras suas no Museu Britânico, no Museu do Vaticano, no Riverside Museum, ambos em Nova York, no Museu da Filadélfia, na Biblioteca Nacional do Louvre, em Paris, nos Museus de Arte Moderna do Rio de Janeiro e de São Paulo, no Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e em inúmeras coleções particulares brasileiras e estrangeiras.
De 1962 até sua morte em 1993, integrou a Missão Cultural Brasileira no Paraguai como chefe do Setor de Artes Plásticas e Visuais, onde atuou na realização de eventos artísticos e culturais brasileiros e paraguaios.
Atrevo-me de aqui fazer um registro muito especial: as vezes em que visitava Livio Abramo em Assunção, chamava minha atenção a variedade e a qualidade das cerâmicas paraguaias que ornamentavam sua casa. Vasos, tijelas e potes de diferentes formas, as vezes com alças e/ou tampas, com texturas rústicas e cores típicas do artesanato com argila grês ou caulim, dispostas não em cima de móveis ou em estantes ou prateleiras convencionais, mas sim, aleatoriamente, sobre o solo, ao longo das paredes. Fico pensando qual teria sido o destino daquela coleção tão singular, onde estaria?
[i] Andres Campos Cervera, nascido em Assunção em 3 de maio de 1888 e falecido em Valencia em 11 de julho de 1937, foi pintor, gravador e ceramista paraguaio sobre quem não se tem outras informações, a não ser que assinou suas obras com o nome com o pseudônimo de Julian de la Herrería.
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