É minha amiga, tenha surpreendido você com os olhos vermelhos, fungando o nariz, a voz meio cortada pela emoção, enfim, com todas as ferramentas de um começo de depressão.
Afinal, onde está aquela alegria, o amor aos pedaços, o vinho, as saídas românticas, os comentários sobre um relacionamento maduro,curtido desde a adolescência?
Parece que tudo engasgou repentinamente ou, ao contrário, o desgaste veio vindo, meio que imperceptível, feito música ao longe, indistinta, a princípio porém, paulatinamente, na medida em que vai se aproximando, deixando claro o som de cada instrumento e a própria melodia.
Os comentários que estou fazendo aqui,por favor, não os tome como gozação ou saídos de quem não está nem aí para a dor alheia. Muito pelo contrário, sou observador atento dos sucessos adjacentes, gosto de acompanhar o que se passa ao derredor de mim e, na verdade, me importo sim com a dor alheia e, não fora a minha já lendária timidez, eu bem que gostaria de ter sempre um cântaro de água fresca para a matar a sede de todos os sedentos; uma sombra convidativa para aplacar o calor dos viandantes fatigados; um ombro amigo para servir de apoio a todas as cabecinhas sofredoras...
Procure o exemplo do sol, que morre todos os dias no crepúsculo, mas renasce radioso e cheio de vida a cada amanhecer...
Veja o firmamento tranquilo, as aves do céu, a noite, as estrelas, a lua e o cantochão da fonte..Quanta beleza na vida, minha amiga, quanta paz nas coisas da natureza!
Basta parar e pensar um pouco no definitivo...
O coração, como o sol, morre muitas vezes no breu das noites sentimentais, mas está sempre renascendo e produzindo muito afeto, basta a gente deixar que ele faça a parte dele...