Ao ler seu artigo AS DUAS FACES DO BEM E DO MAL, banhei-me uma vez mais em sua visão clara de duas versões do mesmo fato, análise possível somente a poucos.
Entretanto fiquei com um gosto de preocupação na boca, alguma coisa ácida, a me lembrar que o vinho para a festa de celebração de um mundo mais justo, estragou. Virou vinagre!
Espero ardentemente o dia da virada, quando festejarei o dia da compreensão entre os homens!!
Por ora, quero acreditar na justiça, mas vejo que sua venda é transparente.
Quero torcer pelo lado onde há mais vítimas, mas há vítimas igualmente distribuídas em ambos os lados.
Quero ver a preocupação com o semelhante em ambos os lados, mas vejo apenas incompreensão e extremismo.
Quero acreditar nos padrões de boa convivência, mas vejo que novos padrões são criados às expensas da conveniência.
De um lado, ouço palavras imputadas a Deus, que, acredito, ele nunca proferiu.
Do outro lado, ouço um discurso alardeando equanimidade, construída com a argamassa do Diabo: Sangue e areia de desertos e paredes tombadas.
De um lado vejo a tentativa de forçar a aceitação de uma fé baseada na corrupção pelo ópio, pela pobreza extrema, pelo ceifamento das liberdades de seres humanos que nasceram para ser livres.
Do outro vejo a tentativa de forçar a aceitação de uma lógica maniqueísta baseada em princípios que a História já demonstrou várias vezes estar equivocada.
E assim, amigo Tanajura, vou adiando a festa da renovação do mundo. Vou fabricando novos vinhos, à medida que os velhos estragam, à espera de que
a pretensa experiência dos que conduzem a humanidade e colocam as palavras que lhes convém nas bocas de seus deuses, resolvam procurar suas verdades não nos extremos, sejam eles quais forem, mas no meio termo do ouvir e ser ouvido, no equilíbrio do espírito em paz.
Fico à espera de que esses líderes compreendam que quanto mais informados forem, tanto mais se afastam da sabedoria e que busquem suas respostas não nos extremos, mas em algum ponto entre eles.