Estou hoje aqui nesta cerimônia, para prestar um preito de gratidão. Estamos todos aqui para relembrar WALKIRIA, nossa saudosa filha, irmã, prima, neta e amiga valorosa. Não vimos para mortificar-nos, mas aprendermos com a lição de vida que WALKIRIA nos legou. Venho para dizer “muito grato” pelo que ela me proporcionou enquanto a conheci. Faz cinco anos nesse dia 21 que ela escreveu um prefácio ao livro que eu escrevera A ARTE DE MORAR SÓ.
Depois, viajei à Europa, com o livro pronto, graças a ela. Seu caráter, raro nestes dias de mercenarismo, balaismo e duvidosos interesses, com os quais as pessoas se revestem. A mim, ela não cobrou nada. Eu é que ficarei diuturnamente devendo. Creio que o amor , por mais extremo, denso e profundo que eu lhe houvera dedicado, não remuneraria seu trabalho.
Sorridente, atenta, humilde e simples, ela diz sobre mim, aquilo que eu jamais reconheceria. Ela foi muito generosa comigo. Ouvi e ouço de outras pessoas que com ela privaram, que essa generosidade era um traço característico de uma pessoa a quem MARIA, sua mãe, certamente sentirá muita falta. WALKIRIA transpôs a educação recebida e nos orientou no que há de mais importante: a GENEROSIDADE.
Tenho dito quase sempre, descrente que sou, que só há uma única justificativa para esse mistério insolúvel que é a vida: A SOLIDARIEDADE.
Somente a solidariedade e a generosidade justificam a existência humana.
Por isso estou e estamos todos aqui para aprender mais essa lição: sermos solidários com o semelhante.
Num mundo que prima pelo consumismo, pela banalidade, pelo mau-gosto, já não será sem tempo essa reflexão a que a vida, uma vida exemplar nos presenteia como herança.
O filósofo FRIEDRICH NIETZSCHE diz: “amamos a vida não porque
estejamos habituados à vida, mas ao amor”.
O termo, tão desgastado pela breguice do cotidiano, pelas melodias de mau-gosto, ainda para alguns terá um valor altaneiro, humanístico.
A rigor, não sabemos porque viemos, nem para onde iremos. Mas tenho convicção de que somos obrigados a controlar o desejo e buscar um nirvana como quis o grande BUDA, Sidarta Gautama, há 600 anos antes de Cristo.
Por isso estamos todos aqui, hoje. Para essa homenagem póstuma, infelizmente, mas inevitável, a rememorar seu gesto, seu sorriso, seu ar de adolescente com o qual convivi e que inexoravelmente, a realidade não vai mais devolver.
WALTER DA SILVA
Camaragibe, 13 de março de 2007, terça-feira.