Concluir, terminar e ultimizar são momentos distintos em nossa vida e que marcam as situações que nos envolvem de forma bem ou mal resolvida. Não percebe-los distintamente ou confundi-los na execução pode pôr tudo a perder ou deixar rastros indesejáveis que acabam por bloquear novas aquisições e conquistas, meio que emperrando a vida. Concluir é fechar as circunstâncias que têm início meio e fim, cujo objetivo foi atingido no tempo e no espaço. Conclui-se um curso, uma faculdade, um trabalho, um mandato numa empresa ou numa diretoria. Terminar é interromper algo cujo histórico se fez em nome do que afetou a nossa vida, que não teria um fim natural a não ser pela morte. Cujo ponto final não existe em si e, logo, não caberia uma conclusão. Termina-se um casamento, uma amizade, uma parceria profissional, uma sociedade. E ultimizar? É encerrar dentro de nós aquilo que já foi concluído ou terminado lá fora. Talvez o momento mais importante dos três. Dar ultimidade é extinguir em atenção, força e emoção, o que não mais pede isso porque já foi vivido, sentido e trabalhado e deve passar agora a um outro campo da nossa biografia: a lembrança, a página já lida e assimilada. Não se trata de esquecer ou negar, por favor, mas de colocar num espaço que não mais exija de nós a dedicação ou o esforço. Para que novos movimentos, outros talentos, interesses ainda não despertados possam se expandir e nos renovar, essa bênção da existência que traz o prazer e o bem estar da motivação. De nada adianta concluir ou terminar, se não for ultimizado. Há pessoas que terminam uma relação, mas não ultimizam, ou seja, não esquecem, não abrem espaço na estrutura sentimental para novos amores, outros ventos. Ou concluem um mandato numa diretoria, por exemplo, mas não ultimizam que já tiveram seu tempo e querer continuar opinando com se ainda fossem os dirigentes, sempre com essa frase: ‘‘No meu tempo de presidência...’’. O pior fica por conta do rancor que não foi embora, porque alguém não ultimizou a mágoa que ficou de um entrave, mesmo depois que afirmaram ter colocado uma pedra sobre o conflito, a briga, o desentendimento. Em não havendo ultimidade, tudo fica mal resolvido, não se caminha livremente em direção da esperança e do sonho a mais. Do que ainda temos por viver.