Sentada frente ao mar,
sinto-me mergulhada em um dia perfeito.
Meu olhar vagueia entre as efervescentes espumas das ondas,
o verde vibrante das árvores e plantas às minhas costas,
o céu de um azul intenso, os pássaros em acrobacias aéreas,
e o Sol - Ah, o Sol! - globo incandescente que, minuto a minuto,
se aproxima do mergulho no Oceano.
Os sons são harmônica sinfonia:
a arrebentação das ondas, os risos dispersos,
o farfalhar das folhas respondendo à brisa.
A primeira estrela brilha, ainda no céu claro,
e me fala da Dança das Esferas.
Nesse instante eu sou o centro do Mundo,
sou o centro do Universo.
O Ballet da Sincronia se faz em torno de mim.
Eu só vejo, só ouço, só sinto.
Sem idade, sem sexo.
Sem nome, sem títulos.
Sem pensamentos, sem julgamentos.
Permeável, tudo absorvo.
Tudo me transpassa e a tudo eu reflito.
E já sou o Sol.
Sou o mar.
Sou o azul.
Sou os pássaros a voar.
Sou as flores a adormecer.
Sou aquela primeira estrela a acender.
Simplesmente, Eu Sou!
Somente ínfima partícula, parte da engrenagem.
Parte do movimento, parte da Dança.
Sou parte de tudo, e além.
Sem tudo, nada Sou.
E sem mim, algo faltará também!