Eu quero hoje, acender a Lua
E seguir teus passos em etérea caminhada.
Despir pudores, e frente a ti postar-me nua
E assim, em argêntea cor, tornar-me iluminada!
Te espero na penumbra, tal estátua enfeitiçada
Clamando a Cronos que dispare alucinado
Para que chegue a hora em que surja na estrada
A silhueta amada do meu homem encantado!
Assim eu retorno aos meus primórdios confins
Aguardando estática no noturno jardim
Com meu corpo desnudo esculpido em marfim
Me abrindo aos teus olhos, donos de mim!
Com meiguice e ternura eu enfrento o olhar
Que me envolve inteira, a me desnudar
Que me despe a alma, a me encantar
E me deita em teu colo, em um doce ninar.
Em meus ouvidos tua voz, ”roucamente” a soar
Se abre em imagens que giram no ar
De sonhos, de fábulas, de histórias sem par
De feitos, de glórias, do teu guerrear!
Cavaleiro-Coragem, movido a paixão
Rosto esculpido denotando a beleza.
Coroado por mim, Rei do meu coração
E ungido por Deus, por tua nobreza!
Hoje o Mundo é nosso, me estenda tua mão!
Vestida de flores vou contigo dançar.
E ao findar deste dia, com profunda emoção
Vou apagar o luar, e na penumbra te amar!
Com ternura, enlaçam-se as almas, enfim:
Reverência e paixão; cuidado e ardor.
Eternizam-se as bênçãos, em ti e em mim:
Sentimentos sagrados, sob a luz do Amor!