As intoxicações por mercúrio e seus compostos foram descritas a partir do século XVI com o tratamento de sífilis. Mas a História nos conta que na Antigüidade já ocorriam intoxicações mercuriais nos mineradores romanos, causadas pelo sulfeto de mercúrio. Entretanto, somente no século XX, na década de 50, por causa dos acidentes ocorridos em Minamata, no Japão, e na enseada dos Tainheiros, na Bahia, esse problema ficou mais evidente. Mais recentemente, sua incidência tem sido alta nos garimpos da Região Amazônica (e atualmente no Estado do Amapá).
A intoxicação aguda, súbita, causada diretamente pelo mercúrio, provoca um acentuado gosto metálico na boca, bem como a inflamação e a descoloração dos tecidos mucosos, vômitos (freqüentemente contendo sangue), inflamações intestinais, diarréia e perturbações da função renal, podendo levar o paciente à morte.
Os vapores mercuriais causam envenenamento crônico. Seus principais sintomas são: erupções na pele, salivação excessiva e, especialmente, insônia e irritabilidade. Outro sintoma freqüente é o tremor, principalmente nas mãos, provocado pela perda do controle e da coordenação muscular. Como conseqüência, a escrita do paciente apresenta alterações, muitas vezes, antes do aparecimento de outros sintomas.
As intoxicações provocadas por derivados ou compostos de mercúrio ainda são freqüentes, causando verdadeiras epidemias de envenenamento, como na ingestão de sementes tratadas com fungicidas mercuriais e no consumo de peixes, crustáceos e moluscos oriundos de águas contaminadas.
O envenenamento agudo por compostos mercuriais orgânicos pode ser fatal. Seus sintomas são: tremor, fadiga, diminuição do campo visual, dores de cabeça, perturbações da memória, falta de concentração, compreensão reduzida, falhas de expressão, mudanças na personalidade. Em casos graves, às vezes esses sintomas são confundidos com os da histeria.
Antônio Lembo, Geraldo Camargo de Carvalho e João Usberco