O pior cego é aquele que vê, mas aqui tem muito na Rodoviária, não acha?
Bem... o dia de hoje eu não sei bem qual é porque é tarde e não dormi. Não dormi por não dormir, pois o sono é para sonhar. Não se sonha acordado de onde venho. Correr, correr, correr... eu, coelho de Alice não me dou ao luxo de parar e esperar o trem passar (geralmente por cima de mim).
Fugindo de uma péssima introdução eu, meu caro... temo minha carta, mas aqui estou. Mesmo parecendo claro, digo que cato a merda oferecida pelos Patrícios de uma Usina “democrática”, merda rica em nutriente.
O que dizer do que anda acontecendo. Não vou dizer, você o já fez ... tirou o peso das minhas costas...texto fenomenal, deixa bem claro a vaidade do lado de lá e a simplicidade sobrevivente do lado de cá, ambas existêntes mas que tendem a se apedrejar. Pois que venham as pedras, aqui não existe perdão. (Claro! Quando é festa, feijão e pedaços de porco, esquecemos de brincar de verdade e a felicidade daqui é verdadeira... a de lá, como bem disse, difícil saber, nunca estive lá.) Mas aqui estou...
Quanto a blasfemar, não se acanhe. Isso é comum aqui onde bebemos e brigamos. Grite bem alto pra ele escutar... Deus deve ser surdo ou, se vaidoso demais, que fique ele também do lado de lá. Aqui é o mundo real. Lugar de Bombeiro herói de filme no gama (muito bem lembrado), meu amigo... aqui dói de verdade.
Digo-te, sim! Há um ódio aqui... ódio forte... Revolução civil que não houve e que empurra as paredes do estômago... Devo gritar? Devo calar? Simplesmente sorrir e dizer bom dia e me limitar a rimar flor e amor e ser transgressor só porque disse cu ou boceta em versos (Britney Spear também disse... ups!) porque crê (scer) ser o correto?
Aí digo-te, não! Ergo minha capitânea cabeça, mesmo que faça isso sozinho. Ao cagar regras os que se acham bom passam a oprimir. Deixe-me palafitar, ceilandiar, jardinrorizar e fazer o que eu quiser com meu verso. Se diz que tal é bom torna o que não é tal, algo ruim... não é. Samba-se muito sobre o ruim... criam o padrão, aí eu sou erro, pois jamais serei o que pregam ser correto. Correto! Puf! Se ruim, ou bom... como falou na carta que me destinou, não estou aqui pra julgar. Mas meu escrever é talião... olho por olho, dente por dente. Aos Borges todos do mundo, a rebelião de não mais beijar bundas. “Castrar-vos como um touro, fazendo-vos urrar.”
Mesmo assim, bom saber que se corta cana infantilmente do mesmo lado do rio. E que o frio chuviscoso de “não sei se vai chover” pode ser dividido em cobertores e agasalhos...
Aqui deste lado... somos forte e fracos... aqui deste lado se é livre para pensar, não temos gramáticas e polícia e leis e métro... aqui deste lado, bebemos e brigamos como agora fazemos... mas não sou pessimista, sou pessimista e também Maria a Louca...a separação é um fato.