Não sou aquele que num crepúsculo de tarde, ouviu seu sim no altar, numa cerimônia embalada pelo canto de pássaros, numa capela tosca, com poucas testemunhas.
Não sou aquele a quem você dedica amor, respeito, amizade, companheirismo, sua vida !
Não sou aquele que tendo lhe emprestado o sobrenome (que seja eterno enquanto dure) deu-o aos seus filhos, fazendo-os orgulharem-se dele.
Não sou aquele que tem o privilégio de dormir e despertar com você, de oferecer-lhes os mais valiosos presentes, sua jóias, seus vestidos, seu automóvel, suas casas de praia e campo.
Não sou aquele a quem você dedica uma fidelidade irrestrita, insana, quase servil.
Não sou aquele que lhe permite a liberdade, que a transforma num ser sem grades a obstar-lhe o caminho.
Não sou aquele que permite-lhe voar pela imensidão do céu em busca dos seus sonhos quase utópicos.
Não sou o príncipe encantado da sua imaginação, homem singular, de beleza fulgurante, de inteligência superior, de sensibilidade ímpar, carinhoso, meigo, amoroso, doce, senhor da sua vida e da sua morte.
Não sou.
Eu, sou apenas aquele que lhe tem amor. Aquele que não poderia oferecer-lhe nada, além de amor e da vida, se preciso fosse.