Certa feita, um valoroso e sábio guerreiro árabe, Al Hassim, chefe de numerosa tribo, após
fragoroso combate, diante do espetáculo macabro
que presenciara, do alto de uma montanha orou aos céus :"se for da tua vontade ò todo-poderoso, sacrifica-me para por fim à guerra "!
Houve novos combates e numa tarde, pouco antes da chegada da noite, Al Hassim orou, com fervor redobrado, mas a luta não cessou...
Os membros de sua tribo diminuíam a cada dia sangrento.
Decidiu-se então a combater só. Empunhou a cimitarra e partiu para o campo de batalha.
Ao deparar com o exército inimigo em formação de ataque, bradou: " Vão embora !
Digam aos seus líderes que já basta de tanta matança.Aqui estou para enfrentá-los, a todos " !
Açodou o cavalo, investiu furioso contra as hostes inimigas, estáticas ante a bravura do guerreiro solitário.
O líder adversário, presa de indizível vergonha, ordenou a retirada de suas tropas, dirigindo-se sem escolta ao acampamento árabe, onde celebrou a paz.
Al Hassim galgou a montanha para agradecer ao todo-poderoso. Lá no alto ouviu uma voz que lhe ordenava recolher todos os cadáveres, inclusive os dos inimigos, para sepultá-los naquele lugar.
Árdua era a tarefa de trazer tantos mortos para a montanha. Após o derradeiro sepultamento, Alah fez chover por semanas a fio, ao fim das quais, dos céus, conclamou os chefes dos exércitos para reunir os guerreiros ao redor da montanha.
Ao crepúsculo, os mortos levantaram-se dos seus sepulcros. Ressuscitados,os antigos contendores se abraçaram, tomaram suas montarias e partiram.
Conta-se que ainda hoje, quando se ora em direção àquela montanha, o Anjo da Paz surge no horizonte, ressuscitando todos os que tombaram
em alguma estúpida guerra...