“Foi de olhos fechados que viu a vida passar
Foi de olhos fechados que observou o luar
Sempre de olhos fechados com nada à se preocupar
Foi de olhos fechados que viu a morte chegar”
Logo ao sair de casa, sem perceber, esqueceu o molho de chaves na porta. Seguiu caminhando tranquilo até a banca de jornais, escolheu duas ou três revistas e generosamente desatento, deu uma nota de cinquenta reais ao jornaleiro dizendo sorridente: “Fique com o troco”.
Continuando a trajetória andou quatro quadras em linha reta quando deveria ter virado na segunda. Parou, coçou a cabeça e retornou, ainda com o sorriso estampado na face.
Passando por uma praça, quase caiu ao tropeçar num mendigo: “Sinto muito, meu senhor”, desculpou-se sem notar que aquele ser humano trajando trapos era uma linda garotinha.
Com uma das revistas aberta diante do rosto ia atravessar uma pequena rua, quase sem movimento, quando morreu atropelado.