Caía no fim o ano de 2001 quando entrei a escrever num sítio literário brasileiro, com amplitude lusófona, então velho-novato sem experiência alguma sobre os ofícios-benefícios-malefícios da Internet, "esse mar desconhecido", como a designou expontaneamente Eduardo Lourenço.
Decorridos alguns dias e após a inserção dos primeiros textos, que pendiam em louvor da mulher, comecei a sofrer inopinados e profusos ataques virtuais de todo o tipo e feitio, quer publicados frontalmente, quer através de correio electrónico.
Os insultos em palavrão aberto vinham embuçados sob o famigerado "nick", o tal, sempre-sempre "em-nome-de", que se apresenta como arma de defesa para atacar covarde e deliberadamente outrem, seja quem for. Os vexames e rebaixamentos possivelmente identificados, surgiam eivados do que de pior o raciocínio humano pode engendrar para intentar o derrube psicológico das vítimas.
Lutei, lutei sem trégua desde o degrau da mais ínfima condição moral ao mais elevado dos patamares que me foi possível atingir. Quanto mais agudos eram os ataques mais redobrada era a minha impetuosidade. Alguns dos tenazes adversários, presumidos escritores-e-poetas por paradigmática amostra, foram-se de uma vez por todas, deixando o terreno da escrita completamente calcinado. Alguns eliminaram os textos que versavam sobre a capitosa caçada que me impuseram.
Pela minha parte, mantive-me sempre firme, sobretudo coerente com as minhas virtudes e os meus defeitos. Ao longo de quase 11 mil inserções que produzi, a história do vertiginoso e crepitante devaneio está escrita e assim permanacerá enquanto a Usina de Letras, benquista tribuna da plena liberdade de expressão em português, durar sustentada pelo destino dos satélites. A minha obra usinal, que assumo em pleno, por ser exactamente como é, constitui para mim um enorme orgulho pessoal. Sem que eu tivesse prévio propósito, ela demonstra o que é deveras a vida de uma pessoa que, não desejando fazer mal a ninguém, é obrigada a fazê-lo.
Ora, após largo tempo de serenidade, em meados de Fevereiro de 2007, surge repentinamente um qualquer Alter Silva, sob o "user" de Xereta, a tomar abusivamente os meus textos - das contendas passadas - e a republicá-los com intuitos ínvios, sei lá se por causa de alguma sua afeição virtual que se tenha voltado para o meu lado. No caso, a simulação e os motivos podem ser de diversidade indeterminável. A mente humana é um infinito sepulcro a quem a morte real faz muitíssimo bem.
O "sacana" - trata-se sem dúvida de um indivíduo que merece o ilustre-calão - sem texto algum publicado, alicerça-se em dois registos para executar as suas imbecis e ridículas tramóias nos quadros de avisos, convencido que algo logra ao promover a vã conspurcação da minha banda.
Brincou uns dias e conseguiu colocar-me a pólvora por debaixo das teclas. Inesperadamente, para mim e para ele, sem o imaginarmos, conseguiu com estreita limpeza esta magnífica pérola que, olhando-a e reolhando-a, francamente não sei se é literatura ou soltura. Talvez seja ambas as coisas, mas que é uma pérola, é: |