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Contos-->GÊMEOS -- 17/11/2009 - 16:44 (Divina de Jesus Scarpim) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Eram dois e eram um. Irmãos. Manos também em tudo. Solidariedade. Nem parecidos. Iguais. Olhos de Diogo, em Diego via-se. Vice versa vice. Gosto, carinho, vontade, alegria. Um. Um brinco a infância. Adolescência uma festa só. Um. Vestibular? Quem passar por último é um rato. Empate. Dois cobras. Medicina só.

Na festa os dois. Iguais. Chegaram olhando e sendo olhados. Conhecidos. Não menos espantados. Olhados. E que mulher, que menina se arriscava? Como namorar alguém que é dois? Por mais que se queira, não dá. Além disso. Desconfiavam. Eles sorriam, sem confirmar. Se um namorava, outro ia vez em quando. Revezar.

Dança, brinquedo, música. Esquece. Vem lá fora ver a noite. A lua, quem vê a lua? Fora de moda. O que se vê é ela. Puxa vida, menina, você aí fora quanto tempo? Não entrou? Não, não deu vontade, aqui o som bate mais. Olha do lado. Sorri. Mas como é que pode, nem bebi e tô vendo dobrado? É não, são Diogo e Diego, colegas da faculdade. Prazer. Prazer demais, prazer dois. E ela dá. Na boca. Beijo-sorriso. Dobrado. Que bom!

E conversa rola solta. Tanto, tanto que falar. Eu faço odonto. Nós, medicina. É. Eu gosto de ler, quase fiz jornalismo. Nós gostamos de ler, quase fizemos direito. Eu. Sorriso. Achei que jornalista é meio urubu. Nós achamos que advogado é meio urubu. Sorriso mais. Três. Gostoso olhar pra vocês. Gostoso olhar pra você. É. Olha que música legal. É mesmo, vem dançar. Onde? Aqui mesmo. Com qual de nós? Com os dois, oras. E ela abraça e se deixa abraçar. Assim, de três. Tão quente, tão musical. E o abraço faz o cheiro e faz o gosto. De conversa já foi tanto. Tão pouco. A boca descansa. Cansa. Reveza no beijar. Discreto. Excitante. Ela deixa que as bocas. Que as mãos. E relaxa no sonho da música. Devagar. A música acaba, ela solta. Arruma a blusa. Senta no chão. Grama. Chama. E de futuro, o que vão fazer? Montar consultório, os dois. Que legal, podia ser três. Sorri bem grande. É mesmo, por que não? Clínica médica e odontológica. Tem charme. Tem. Um de cada lado. Sorriso. Um de cada lado. Conversa. Um de cada lado e ela no meio sem meio sorriso. Conversa. Conversa tanta. Conversa muita. E o tempo. Que tempo? Quem viu? Quem pensou? Mulher sabe mais sobre tempo. Levanta rápida e nem é de embaraço. Nem é de fuga. É tempo. Vamos, a gente se despede, vocês me levam pra casa. Vão. Vão.

Entram na sala. Três. Mãos dadas. Olham sorrindo. Ela falando Oi, aqui e ali. Acham o dono da festa. A gente veio dizer tchau. Já vão? Deixei vocês lá fora, ia levar uma bebida, esqueci. Esquece, tá tudo bem. Isso, tchau. Beijinhos. Ela só beija no rosto. Vambora. Vãombora.

O carro é legal, gostei. É nosso. Sociedade. Mais fácil as coisas quando se divide tudo. É. Sorriso. Sorriso-significado. Posso sentar no meio? Pode. Dirige devagar. Tá. Ela senta e abraça. Dois braços abraçam. Dois. Ela no meio. Sorri mais. Amanhã? O que tem amanhã? A gente pode se ver amanhã? Não, não pode. Ela diz. Tem. Ufa, então vamos, que horas? Preciso tempo pra acordar. Duas? Não, posso estar no banho. Cinco. Melhor. Vai. Cinco. Abraço. Mão passeia nas nucas. Suave. Onde? Ali. Chegou. Espera. Beijo. Beijo. Direita. Esquerda. Mãos, quatro. Mãos, duas. Calma rapazes, amanhã. Ela beija último. Dois. Sai. Bem no meio do parque, às cinco, tchau. Anda um pouco, volta cabeça, faz tchau. Entra. O carro sai devagar. Dois pares de olhos brilham, dois sorrisos bobos bambeiam. Nada se diz. O carro vai.

Em casa a mãe. Todas as mães. Espera. Ainda acordada? Beijinho. Beijinho. Estava sem sono. Mentira, ficou esperando. É não. Tá, faz de conta que a gente acredita, vai dormir mãinha. Já vou. Boa noite. Três. E ela sai e eles vão pro quarto. Puxa vida, que mulher! É, demais! E amanhã, o que você acha que vai rolar? Nem sei, fiquei meio atrapalhado, ela nem tentou escolher um dos dois. É, parece que quer mesmo os dois. Se for assim, que bom, né?. É. Dormem.

O parque tem parque, tem crianças, tem gente correndo antes dos doces da sobremesa. O parque tem bancos e sombra e sol. Eles andam devagar, procurando. Um banco com um pouco de folhas-sombras sentadas inquietas. Sentam e elas saem um pouco do banco e dançam neles. Olham e ela vem vindo. Bonita. Sorri quando vê os dois, dá uma corridinha. Chega. Eles levantam, ela senta e chama. Oi. Um de cada lado. Oi. Beijo-direita, beijo-esquerda. Na boca. Saudade. Saudade. Saudade. Fiz um poema, querem ver? Sim. Sim. Papel.

Eles são dois
Um.
Eu sou uma
Duas.
Somos quatro

Quadrilha.

Isso é um poema? Sei lá, não entendo muito, mas eu gosto. Eu gosto, não preciso entender. Onde é que a gente vai? Onde vocês quiserem. Mesmo? Mesmo. Jura? Juro. Tem certeza? Tenho. Então vem. Os dois seguram o corpo de mulher que se abandona nos braços e andando o sorriso os três chegam no carro. Um vai no banco de trás. O carro sai. Anda e ela vê a placa luminosa apesar de ainda dia. M se confunde com H, indefinido. Ela olha para o lado, sorri. Olha para trás, sorri. Entram. A menina-recepção controla curiosidade. Séria. O carro estaciona. Saem. Um fecha a garagem. Volta. Os dois fazem rede com os braços e ela deita. Sorrisos altos. Entram. A rede coloca-joga a mulher na cama. Os dois, um de cada lado. Beijos. E ela vira a cabeça. Direita-esquerda. Mãos. E ela se solta nas mãos. Roupas voam. Mãos. Corpos três. Um de cada lado. Ela no meio. Bocas três. Mãos seis. Corpos três. Não se diz nada. Gemidos. Braços. Ai. Pernas duas. Seios-boca dois. Sexo três. Entram. Ai.

Depois ficam deitados olhando pra cima. Teto com espelho é legal, a gente se vê. Eu me adorei assim, tenho um homem dois, delícia! Riem os três. Sentados na cama comem. Comem. Brincam mais e muito e muito e mais sorriem e saem brilhando prazer. São três. Gêmeos.
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