Cidinha era a estrela do Bloco Carnavalesco “Bafo do Tigre”. Considerada passista de primeira.
Uma graça de criatura. Insinuante. Os mais velhos poderiam chamá-la de “brejeira”.
Trabalhava como doméstica lá em casa. Estava conosco há três anos, quando Ana foi contratada. Minha mãe precisava de mais gente na lida.
Coisas começaram a sumir. Presentes para o Natal, guardados no quarto dos fundos, foram rareando.
Ana foi acusada de ser a ladra, quando uma joia desapareceu. Aconteceu o que faltava. Afinal, era a de menor tempo na casa.
A polícia encasquetou que a autora dos sumiços era a mais antiga, o que não foi admitido por nós, porque ela tinha a nossa total confiança.
Ana acabou presa para averiguações.
No domingo seguinte, cedo ainda, a vizinha pegou Cidinha saindo com uma trouxa. Deu o aviso. Feita a confissão. No final, a ladra era a outra.
Desfeito o mal-entendido. Ficou a nossa vergonha pela premissa equivocada. Constrangidos, tentamos contornar, pedindo desculpas. Ficamos, porém, com a sensação de que a injustiça feriu profundo. Nem sempre desculpas curam feridas.
Ana pediu demissão pouco tempo depois. Aparentemente, sem motivo. Teria sido?