Desde pequeno era sem-vergonha. No bom sentido, sem maldade, pura inocência. Digamos que era embalado pelo instinto, uma natureza fogosa de pequeno macho inquieto. Tinha perto de 8 anos e morria de curiosidades pelas coisas do sexo. Meio caipira, filho de camponeses simples, com pouca escola, não recebeu nenhuma instrução. Distante de livros e revistas, também não teve acesso à informação escrita. Aprendeu algumas coisas sozinho, tirando suas conclusões a partir de conversas com os irmãos ou pequenos colegas. E principalmente pelas experiências que fez com uma pequena vizinha do sítio, descendente de alemães, de olhos claros e belos cabelos loiros.
Gertrud, a alemãzinha, tinha a mesma idade de nosso herói e, igualmente inocente, desenvolvia com ele, às escondidas, certas pesquisas anatômicas de grande interesse mútuo. Na primeira vez, simplesmente tiraram a roupa e sem mais cerimônia ela enguliu, com seu sexo, aquele pequeno membro, durinho como ele só. Pouco se preocupavam com beijos ou carícias preliminares, então desconhecidas e inúteis. Ficaram ali agarrados, ele procurando com seu sexo descobrir os segredos daquela gruta quentinha. E ela encantada com aquela intimidade que lhe invadia o corpo, e incansavelmente se mexia para dentro, para fora, para dentro…
Ns semanas seguintes, sempre que se encontravam, corriam para o meio das bananeiras, forravam o chão com folhas secas e se entregavam sem mais demora ao fogo de uma paixão inocente e doce. Dois pequenos animais no cio, amando-se com naturalidade, sem culpas, sem preocupação, sem nada.
Ele não tinha ainda nenhum pelo pubiano, enquanto no peito alvo de Gertrud os seios sequer sonhavam em brotar. Mesmo assim, como se amavam.
Os encontros se repetiram por muito tempo, até que o menino, na tarde de um dia cinzento, mudou-se para a cidade, para continuar os estudos. Foi a contragosto, não sem antes consumar uma despedida íntima. Amaram-se em silêncio e, sem nenhum adeus, cada qual seguiu seu destino.
Hoje homem feito, o pequeno namorador sente saudade profunda da alemãzinha que enchia sua infância de estrelas. Nunca mais a viu, assim como nunca mais pôde sentir, nos encontros amorosos que teve, aquelas sensações que eram a um tempo estranhas, deliciosas e irresistíveis. A pequena Gertrudes ainda lhe aparece em sonhos, com aquele corpinho branco, franzino e ardente, mas ele sempre acorda antes que consigam consumar mais uma aventura inocente no meio das bananeiras.