E nesse embate de ondas em sentidos transversais, periféricos, hemisféricos, com o magma interior envolvido, ressurgiu um personagem enigmático que defendia a presença de Sílvia, aquela que em si mesma representava o extremo do último dos critérios, a plausibilidade do encontro de todas as raças e crenças, pois ela cantava as mais belas canções com um timbre único e inesquecível.
Esse o ponto crucial que provocaria uma polêmica que nunca chegou realmente à uma definição. Pois haviam argumentos e contra-argumentos de todas as qualificações possíveis e impossíveis. Ela sensibilizava e, ao mesmo tempo, intrigava. E, assim, o congresso transformou-se em um autêntico campo de batalha, em que um mar de mãos vibrava no ar, enquanto línguas vivas e mortas debatiam um tema, que era por demais simples e, ao mesmo tempo, complexo, para ser resolvido em um tal ambiente.
Nunca se chegou a um resultado.
Mas Sílvia continuou sendo ela mesma, atravessando imune amizades e hostilidades, sabendo preservar o que em nela havia de mais precioso, a sua voz melodiosa, sedutora e inebriante, o seu olhar inconfundível, a sua presença inabalável e, ao mesmo tempo, sutil e leve. Quando cantava, todos se calavam, enfeitiçados e sonhadores. Os corações se abriam às paixões. Todos se lembravam do amor, aquele sentimento que um dia transtornara as suas vidas. Esse o mistério de Sílvia, insolúvel, pois quem conseguiria penetrar em sua alma, e lá tentar encontrar respostas aos seus enigmas?