No meio da noite, a lua quase azul, brilha... A boemia toma-me num açoite e entrego-me ao que a madrugada cria. Em uma casa de aparências estranhas, paro. Dou-me asas e, adentrando, deparo-me com damas da noite risonhas. Não... não preciso me apresentar... Sei onde estou. Conheço o lugar.
A mais alta se aproxima e, com dois copos na mão, vem e... alucina-me. Seu sorriso não foi em vão. Morena de olhos verdes, nem tão bonita, mas presta.
Pergunta-me então:
- O que queres? Queres dançar ou tens pressa?
Respondo com sorriso maroto, igual ao que me dirigiu:
- Sossega... a calma é uma arte. Não sou aquele que partiu.
As luzes têm cores e giram como a cabeça de todos. Bebidas, desordens e tudo o que faz a vida de um tolo. Mudamos, então, de ambiente e, dançando como um soldado, daquele que é combatente, mas, neste dia, está parado. Rostos estranhos circulam mirando os corpos espalhados em sofás, tapetes e cantos. São restos humanos largados. Dou-me conta de quanto aquilo é pobre em beleza. Porém, porto-me como se fosse a realeza. Sugiro um outro lugar mais calmo e aconchegante.
Em minutos, estou a deitar em cama que já estive antes. Tudo acontece conforme se deve acontecer. Aquilo é sempre o mesmo até o dia amanhecer. Nada se ganha ou se lucra. A vida pára um momento. Formamos apenas um casal que se perde noite adentro.
Mas tudo muda em um repente, quando noto outro alguém. Pego-me sentado na cama falando, olhando para a cara dela, com aquele olhar de megera, que numa pergunta se inflama, e... eu, recém acordado, ouço:
- Quem é essa tal de fulana?