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Cordel-->O charlatão -- 31/07/2022 - 20:40 (Carlos Alê) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

 

Quem promete uma cura

com discurso teatral

negociando uma poção

de efeito medicinal

Perde a dignidade

E sempre acaba mal

 

É o que aconteceu

Com Rivaldo, o charlatão

Que de cidade em cidade

Vendia uma loção

E ganhava grande soma

Com sua tapeação

 

Um sabão muito barato

Em um armazém comprava

Com uma água barrenta

Todo ele misturava

E botava a mistura

No frasco que rotulava

 

Chegava na feira livre

Com o seu creme fajuto

Começava a falar

As vantagens do produto

Vendia a mercadoria

Inventando atributo:

 

- Preste atenção freguês

Na pasta miraculosa

preparada com resina

Barro e banha gordurosa

Com óleo de urucum

E extrato de babosa

 

Essa mistura perfeita

É de uso natural

Não provoca alergia

e efeito colateral

E da sua eficácia

Dou garantia total

 

Velho, criança e jovem

Qualquer um pode usar

Quem prefere a prevenção

Meu emplastro vai comprar

O uso desta pomada

Agora vou explicar

 

É pasta para o cabelo

Que fortalece a raiz

De caspa ou seborréia

Não vai ficar nem um xis

Uma aplicação por dia

Deixa o freguês feliz

 

Esta loção fabulosa

Também é um repelente

Para espantar insetos

Ela é tão eficiente

Que usando a muriçoca

Morre longe do cliente

 

É um creme para pele

Que hidrata e dá vigor

Dá alívio pra coceira

É do sol um protetor

Toda freguesia leva

Por um pequeno valor

 

É segredo de família

A sua formulação

Pra comprar grande quantia

Só pedindo de antemão

Não conheço quem usou

E não deu aprovação

 

Seu discurso enganador

Grande sucesso fazia

Todo estoque da loção

Em pouco tempo vendia

Lucrava uma grande soma

Enganando a freguesia

 

Vendendo em uma feira

Seu produto enganoso

Um dia não escapou

De um cliente furioso

Que a ele denunciou

Chamando de mentiroso:

 

- Esse mascate impostor

Tá enganando vocês

Eu falo por que também

Dele fui feito freguês

Mas aqui nesta cidade

O farsante não tem vez

 

Hoje comprei a loção

E já quis ela testar

Passei por todo meu corpo

E fui ao rio pescar

Com pouco a muriçoca

Chegava pra me picar

 

Era tanto do inseto

Que eu tive que correr

E o meu rosto vermelho

Vocês todos podem ver

O dinheiro que eu paguei

Ele tem que devolver

 

Rivaldo, o ambulante

Resolveu desconversar

Confiando no talento

Que tinha para falar

Tentou lograr o cliente

Que veio denunciar

 

- A loção miraculosa

É preciso usar direito

Você passa pelo corpo

E espera fazer efeito

No espaço de uma hora

Para ter melhor proveito

 

- Eu sei porque você quer

Que eu espere uma hora

Com esse tempo você

Já vai ter ido embora

O dinheiro que paguei

Quero devolvido agora

 

- Pergunte em outra cidade

Por onde eu já passei

Se eu sou um charlatão

Que não respeita a lei

E assim o seu dinheiro

Com gosto devolverei

 

- Você engana toda gente

E tem que ir pra cadeia

Porque veio abusar

Da confiança alheia

Que pagou e não vai ver

A cura que alardeia

 

- Toda minha clientela

Diz que a pasta é estupenda

Voltando em uma cidade

Só aumenta minha venda

Com muito freguês fazendo

Pedidos por encomenda

 

- Na terra que ninguém vai

O feijão dá na raiz

Essa pomada não faz

As curas que você diz

Só vende pelo seu dom

De fazer um chamariz

 

- Eu nunca fui pra cadeia

Preso como impostor

Só vendo mercadoria

Quando conheço o valor

Se a loção não fez efeito

Reclame ao fornecedor

 

Quanto mais eles falavam

Mais crescia a multidão

Quando estava nesse pé

Pra aumentar a confusão

Chegou ali o vendeiro

Para cobrar o sabão:

 

- Amigo, vendi fiado

Sabão do meu armazém

Um calote você deu

Em colega meu também

Foi ele que me avisou

Da manha que você tem

 

O freguês da muriçoca

Aí mostrou o furor

Dizendo para o mascate:

- É esse o fornecedor!

Rivaldo viu que findava

Seus dias de vendedor

 

A polícia foi chamada

E prendeu o charlatão

Foi recolhido o produto

De falsa fabricação

Rivaldo teve por prêmio

Viver em uma prisão

 

Leitor, com essa história

Fica exemplificado

Como faz o charlatão

Que deixa o freguês logrado

Se encontrar ele na feira

Evite ser enganado

 

FIM

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