Pelo teu amor, menina,
Faço a maior confusão:
Proíbo a reeleição,
Na Câmara faço a faxina.
Prendo as "aves de rapina"
Vendedoras do mandato.
Não permito candidato
Sonhar em ser Presidente,
Por você eu mato gente,
Mato você e me mato.
Vou perseguir barbatões
Perdidos pelo vergel,
Raspo a barba de Fidel
Da farda arranco os botões.
Represando o Solimões
O transformo num regato,
Deixo o petróleo barato,
Pacifico o Oriente,
Por você eu mato gente,
Mato você e me mato.
Acabo uma procissão,
açoitando todo mundo,
Peço que Paulo Segundo
Canonize Lampião.
Em uma reunião
Converso com Mário Amato,
Pra que ponha no orfanato
Cada menor penitente,
Por você eu mato gente,
Mato você e me mato.
Depois de vários estudos
Pelo sertão da Bahia,
Reúno uma freguesia
E fundo a nova Canudos.
Com fé, armas e escudos
E um rosário de Beato,
Transformo um povo pacato
Num batalhão combatente,
Por você eu mato gente,
Mato você e me mato.
Com o meu dom de artista
Vou obrigar Oliveira
A dizer que Pedro Bandeira
Nunca foi bom repentista,
Que Otacílio Batista
No repente é um novato,
Que nunca rimou exato
O cantador Zé Vicente,
Por você eu mato gente,
Mato você e me mato.