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Cordel-->ADEUS PATATIVA -- 08/07/2002 - 22:57 (J. B. Xavier) |
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ADEUS PATATIVA
J.B.Xavier
08-07-2002
Cantando as dores da seca,
Mas nunca perdendo a fé,
Despediu-se de nós, hoje,
Patativa do Assaré.
Lá vai o grande poeta
Vai haver festa no céu,
Pois pra lá está seguindo
O nosso Rei do Cordel!
Vivendo sempre com a terra
Cantando a lida campestre,
Eu cresci com patativa,
Tendo-o sempre por mestre.
Por isso, meu mestre, aceite,
Esse cordel imperfeito,
Construído sobre o pranto
Que aflora do meu peito!
Que mais posso eu fazer
Nessa triste alegria
de te homenagear,
Senão também com poesia?
Patativa leva o pranto,
Da vida que se encerra.
Mas leva também o canto,
Das gentes da sua terra.
E foi a cinco de Março,
Que Patativa nasceu,
Foi há noventa e três anos,
Que Deus a nós ele deu.
Era cego de um olho,
Porém ninguém enxergava
Mais que o grande Patativa,
Quando suas mágoas cantava.
E foi cedo, aos dezessete,
Que começou a cantar
Pras bandas do Cariri,
E nunca mais quis parar!
Lavrador de mãos em calos,
Bamba na foice e no arado,
É, porém, na poesia,
Que ele vai ser lembrado.
Aproveitava os momentos
De folguedo das lavouras,
Pra declamar poesia
Para as gerações vindouras.
Nunca freqüentou escola.
Autodidata completo.
Porém, de amor e carinho
Seu verso está repleto.
Vivia lá no sertão,
Na caatinga fechada,
Tecendo lindos poemas
Pra terra toda gretada.
Portanto, anjos e arcanjos,
Aguardem com alegria!
Preparem-se, pois no céu,
Vai ter muita poesia!
E desejo agradecer,
Com minha melhor boa fé,
A Antonio Gonçalves da Silva,
“Patativa de Assaré”.
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