Seu doutor, pensando bem
Essa tal de dona FOME
É tão amedrontadora
Que faz medo o nome
Magra, alta, feia e rouca
Tem uns dois palmos de boca
E meio metro de nariz
Essa figura sinistra
Hoje é quem administra
A pobreza do País.
Apesar de horripilante
É a única entidade
Que mais consegue adesões
No seio da humanidade
É dona da maioria,
Favela e periferia
São seus melhores recintos
E os seus associados
São Assalariados
Intitulados: FAMINTOS.
Essa massa de políticos:
Deputados, senadores,
Governadores de Estados
Prefeitos, vereadores;
Fraudadores, caloteiros
Comerciantes, banqueiros
E os latifundiários
Capitalistas Rurais
Inclusive os marajás
São da fome adversários.
É mister que a fome tenha
Seu quadro de filiados:
Comerciários, garis
Vigilantes e soldados
Trabalhador da mão grossa
Seja empregado da roça
Ou da construção civil
Se não der uma de "artista"
Finda incluído na lista
Dos famélicos do Brasil.
Não sei quem mais entorpece
Se é fome ou é maconha,
Uma é saldo de dinheiro
Outra é saldo de vergonha,
Não há diferença alguma,
Se cambaleia o que fuma,
Tropeça o que nada come.
Pois, são muito parecidos:
Dois seres entorpecidos
Um com fumo outro com fome.
A fome se manifesta
Inibe o raciocínio
O vazio do estômago
Tira a mente do domínio.
O faminto se apavora,
Rouba, mata, grita, chora,
Despreza moral e nome.
Mas não censure o malfeito
Quem tem estômago é sujeito
Entrar no time da FOME.