Um homem que saiu da roça e foi para a Vila e sabe escrever como um grande poeta, este é Martinho da Vila Isabel.
É ele que num momento de muito amor, o que já faz parte de seu cotidiano, filosofa: "A vida, menina, só é bonita pra quem sabe amar".
Ele soube, sabe e sempre amará as mulheres. Dará e receberá amor. Os frutos de seu amor estão nas cinco filhas e três filhos que lhe amam como qualquer pai gostaria de ser amado.
Esse homem fala aos quatro ventos: "Admiro medroso sem medo". Até agora não entendi o sentido da frase, pois se és medroso, tens medo. Porém na música essa filosofia encaixa perfeitamente como uma obra de arte.
Quem ama não deseja o mal. Deseja sim a paz, a felicidade e tudo de bom ao amigo e até para aquela pessoa por quem ele não morre de amores. Se algum dia eu, particularmente, amar o meu inimigo, aí sim poderei dizer, sem medo de ser feliz: "Ai, que pena de quem borda o mal. Se aconselha ao menos um dedal". Isso tem quase o mesmo sentido do ditado popular: Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
Martinho em uma de suas músicas, falando da pessoa má, injusta, vingativa, diz que ela em vez de mandar rosas, jóias e bombons, manda: "Bala de canhão e bombas de troco". Dá pena dessa pessoa. Ela não ama e não é amada. Se essa infeliz pessoa fosse uma costureira ou um mesmo um costureiro, passaria as maiores necessidades, pois: "Bom cerzideiro jamais cose sem amor".