Cresceu formoso e com cores vivas. Um verde que se destacava frente à s outras alquebradas árvores. Morava, ou melhor, estava plantado ao lado do terreno de Dona Iolanda. Esta calma e bela senhora vivia com seus dois filhos. O marido viajara fora do combinado, como diria Rolando Boldrin. Morrera muito jovem, mas deixou bons frutos, seus rebentos, que cresciam com uma vitalidade invejável.
Quando o abacateiro começou a dar seus frutos, Dona Iolanda, com um bambu e uma armação na ponta colhia-os e saboreava junto aos dois entes queridos. Era abacate amassado com açúcar, batido no liquidificador e até receita de torta de abacate ela inventou. Eram saboreados no café da manhã e à noite. Às vezes os degustavam também à tarde. A senhora amava o abacateiro como se ele tivesse uma vida igual à dela, com sentimentos como qualquer ser humano.
O tempo foi passando, os filhos crescendo, o abacateiro e Dona Iolanda envelhecendo. Daí começou o martírio para a velha senhora. Os frutos foram diminuindo e a quantidade de folhas que caíam em seu terreiro, aumentando. Todo dia, ela com uma vassoura, uma pequena pá de plástico e um saco de lixo fazia a limpeza. Ela foi se cansando e mandou que colocassem piso onde havia terra, na ànsia de minimizar seu trabalho diário. Ledo engano. Cada vez mais folhas despencavam de seus frondejantes galhos.
Seus filhos se tornaram uns baitas homens e parece que o abacateiro, enciumado, também teve seus dois filhotes. A única diferença é que essas novas árvores da família das lauráceas, embora já na idade adulta, não mediam mais que a metade dos homenzarrões, não davam frutos e só deixavam cair folhas secas.
Dona Iolanda foi aos poucos definhando, vindo a falecer sem presenciar o amado e odiado abacateiro cair entre seus dois filhotes, apenas dois meses depois de sua despedida.