Conheço uma senhora, que só pensa na limpeza de casa. Na cozinha, na edícula ou nos banheiros, sempre há um balde d´água com cloro ou sabão líquido, uma vassoura, um rodo. Ela chama-se Alzira.
Os filhos de Alzira já quebraram duas janelas, pois elas estavam tão limpas que pensaram estarem abertas. Certo dia Jaime e Alexandre jogavam bola no quarto quando ouviram passos no corredor. Para não serem flagrados, arremessaram a bola pela janela e foi aquela barulheira. Seis meses depois, novo episódio parecido. A bola foi proibida dentro de casa.
O marido, João Luiz, tinha um aquário. Alzira foi trocar a água para os peixinhos, o que fazia religiosamente a cada três meses e, como ao mesmo tempo limpava outras dependências da casa, esqueceu a torneira aberta. A água transbordou e o aquário foi considerado culpado. Castigo: aquário jogado fora, com peixes e tudo.
Mais tarde o carpete foi trocado porque as pessoas, ao entrar na casa, não tiravam os sapatos sujos.
O que será da próxima vez?
Ela conhece todas as marcas de produtos de limpeza. Sabe os preços, as promoções, as vantagens e desvantagens de cada um. Delira quando passa defronte a sua casa a kombi vendendo produtos de limpeza. Não sei se é coincidência, mas sua pele é limpa, sem rugas. Tem cinquenta anos e aparenta, no máximo, trinta e cinco.
João Luiz, que não é muito fã da limpeza, tem uma pele de sessenta, embora só esteja com quarenta e cinco anos.
Se você é jovem e quer conquistar um dos filhos de Alzira, ajude-a na limpeza da casa. Receberá elogios e apoio em tudo o que quiser.
Quando ela marca encontro com João Luiz no supermercado, ele a vê de longe. Fácil encontrar a mulher. É a única cliente com um carrinho cheio e outro pela metade, ambos transbordando de produtos de limpeza.