Como diria Martinho da Vila, tive um "sonho sonhado". Já a Marrom, Alcione, chamaria a isso de "sonho meu". Eu digo que tive um sonho meu sonhado.
Sonhei que peguei meu carro para uma viagem solitária com destino ignorado.
Entrei em Concórdia a procura de aventura. Na praça olhei alguns transeuntes e nada me empolgou. Parti para outras plagas, visando a tão sonhada aventura.
Cheguei em Chapecó, cidade maior, que prometia o que eu procurava. Ledo engano. Era um dia fechado, acabrunhado e com cara de poucos amigos. Nunca tinha visto o dia ter ou não ter amigos, mas era o que me parecia.
Carro movido a cata de emoção, por que não seguir até São Miguel do Oeste? Havia uma festa em frente à igreja, homenagem ao padroeiro dos Migueloestinos. Muitos fogos de artifício brilhavam no céu e, para meu espanto, um dos foguetes falhou e estava no chão prestes a explodir. Com um pedaço de pau, eu e outro cara o abafamos a pauladas, até ele se apagar por completo. Conseguimos nosso intento e me desloquei para o carro quando percebi que estava sem a chave. Voltei até próximo da fogueira e lá estava ela, no chão, a derreter. Quase chorei de tristeza.
Só me alegrei quando uma mulher me chamou a atenção e rapidamente fui na sua direção. A moça era bonita, tinha as pernas grossas e trajava mini-saia jeans. Falou algo mirando meus olhos. Incrédulo, olhei para os lados e para trás e percebi que não havia ninguém além de nós dois. Cumprimentei-a e ela me sorriu. Perguntei o que ela iria fazer em seguida e ela, com jeito brejeiro, disse que buscaria a filha na creche. Convidei-a para sairmos à noite. Ela deu as costas e colocou as duas mãos abaixo da saia, levantando-a e mostrando parte da calcinha e da bunda. Sorriu, matreira, enquanto eu ouvi:
- Às oito da noite, aqui mesmo.
Acordei e não realizei o sonho, mas valeu a pena, pois eu tive o sonho meu sonhado.