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Cronicas-->PROFESSOR, O MAR SECA? -- 20/04/2022 - 10:06 (GERMANO CORREIA DA SILVA) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos

PROFESSOR, O MAR SECA?



Juquinha era aluno de uma escola rural, onde ele cursava o segundo ano do ensino fundamental nível I e que por residir em um município interiorano. que ficava muito distante do litoral, ele tinha muita vontade de conhecer o mar de sua região de muito perto, ou seja, ao vivo e em cores.



Naquela sua inocência pueril de uma pessoa nascida na zona rural, imaginava que os mares seriam bem parecidos com os rios, que nos períodos chuvosos se mantinham com seus leitos bem cheios e nas épocas de estiagem e de calor muito intenso ficavam com seus volumes d’agua potável bastante comprometidos.



Certo dia, em pleno andamento de uma aula de Geografia, essa criança, curiosa aos extremos que o era, por desconhecer a imensidão de um mar no tamanho natural, fez a seguinte pergunta:



- Professor, o mar seca?



Foi uma algazarra total por parte dos demais alunos da classe onde Juquinha estudava como se aquela sua indagação fosse uma coisa oriunda do outro mundo, mas o professor, muito hábil que o era em sala de aula, ponderou a pergunta feita por aquele seu aluno e tratou de, em seguida, fazer algumas considerações acerca do assunto.



Inicialmente, ele disse que tudo iria depender do volume d’água que desembocasse no mar, bem como do tempo que ele ficasse sem ser alimentado pelas águas dos rios que chegariam até ele, além da intensidade do calor que pudesse provocar a evaporação da água que estivesse depositada naquele ambiente, supostamente sem ser alimentado.



Esse professor também aproveitou aquele momento para dizer para seus alunos que nem todos os mares recebiam as águas dos rios em grande abundância e que um deles, conhecido pelo nome de mar Morto, o qual tinha o rio Jordão como a única fonte de água principal desembocando nele, era um desses exemplos.



Disse, ainda, que não obstante a existência de pequenas nascentes perenes sob e ao redor desse mar, criando piscinas e poços de areia movediça ao longo das bordas, ele estava secando aos poucos e por isso esse mar tão conhecido pelo nome de mar Morto, estava fazendo de tudo para não justificar esse nome que deram para ele, assim que perceberam que nenhuma espécie de peixes conseguiria viver dentro dele.



Na verdade, esse mar conhecido pelo nome de mar Morto, não é um mar na acepção real da palavra, asseverou. Trata-se de um lago endorreico, ou seja, em que há escoamento da água para um ambiente fechado; que não tem saída para o mar e ele está situado no vale do rio Jordão, sendo uma característica geográfica formada pela falha transformante do referido mar.



Afirmou, também, que este movimento lateral esquerdo em falha transformante fica ao longo de uma fronteira de placas tectônicas, entre a placa Africana e a placa Arábica e que o mar Morto, ou melhor, o lago que tem esse nome, corre entre a Falha Oriental da Anatólia na zona da Turquia e no extremo norte da fenda do mar Vermelho, ao largo da ponta sul do Sinai.



Disse, ainda, que não existem fluxos de saída de água de seu leito, de modo que 25% da água ali represada representam depósitos de sal, dos quais, desde os anos 40 do século XX da era cristã, tem sido extraído o potássio e que no ano de 1947, há pouco menos de um século, foram extraídas do mar Morto 100.000 toneladas de potássio.



Fez questão de frisar que na parte norte do mar Morto a chuva não passa de 100 mm por ano e mal atinge 50 mm na parte sul e que a aridez da zona do mar Morto é causada pelo efeito rainshadow (sombra de chuva) das colinas de Judéia. O planalto leste do mar Morto recebe mais chuvas do que o mar Morto em si.



Para o oeste do mar Morto, as colinas da Judeia têm uma subida menos íngreme e são muito menores do que as montanhas a leste. Ao longo do lado sudoeste do lago há uma formação de halita de 210 m de altura chamada "monte Sodoma". A halita é um mineral evaporativo. Ela é formada pela precipitação dos sais contidos em uma solução química inorgânica, que se depositam quando salmouras de lagos e marés interiores se evaporam.



Em termos geográficos, O mar Morto situa-se no final do rio Jordão e ele tinha uma área de aproximadamente 650 km² em 2014, sendo que perdeu cerca de 35% de sua área em 60 anos. Ele foi criado pela fricção de duas placas tectônicas que formam a chamada fenda Sírio-Africana, uma espécie de rachadura enorme responsável, também, por terremotos na região e, quando a fenda foi criada, a água salgada entrou pela fissura.



Por fim, o professor informou que há cerca de 18 mil anos, a ligação com o mar Mediterrâneo secou e a água salgada, sem ter para onde escoar, ficou depositada em uma enorme bacia e, com o passar do tempo, o lago diminuiu com a evaporação da água e se transformou no mar Morto.


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