Teu perfume permanece displicentemente em minhas mãos, e o suave aroma das cascatas de luz dos teus cabelos veste de infinito minha saudade. Faiscando como suaves e inocentes diamantes, os alegres raios do sol deste fim de tarde brincam doidamente com as inquietas ondas do mar á minha frente, e sorriem para as nuvens que correm apressadamente em direção ao nada. Olho tristemente para o oceano através de lágrimas que insistem em não cair, em busca de teu olhar. Lá embaixo os estrondos da eterna batalha entre o mar e o rochedo trazem-me um estranho medo, uma ansiedade velada, uma quase premonição ao desenhar loucos enredos. Mil galáxias explodem nos respingos de espuma, e no horizonte, um navio ruma para o desconhecido. Brincando com meus cabelos, o vento me murmura segredos de lugares longínquos, segreda coisas irreveláveis, que aprendemos a dividir. Consola-me saber que ele, em algum momento, te encontrou pelos caminhos do mundo, te envolveu em sopro suave e te segredou coisas que nunca ousei te revelar... e que, como amigo fiel, trouxe-me teus recados. Onde estás? Por que caminhos seguiste? O profundo manto divino do azul celestial abraça o mundo e me traz as carícias de uma noite iluminada. Deito no tapete macio de relva, e ao som das sinfonias do mar, olho as estrelas, uma a uma, a te procurar, porque sei que um dia, quando estiver a olhar, uma estrela especial há de brilhar, e onde estiveres, hás de nela me reconhecer, e então hás de saber que ainda estou a te esperar