Não me deixes assim, largado e jogado ao nada. Não me deixes assim sedento de suas
formas e beijos, de nosso calorosos desejos. Não nos deixe assim. Você que some e não fala
nada, não dá notícias, isso não me agrada. Você some e não acontece nada, meu mundo não gira,
meu mundo para.
E os dias de puro calor, desejo e dor. A alegria de nossos momentos, a força de nossos
sentimentos. Não há mais nada. Sinto a falta do cheiro da sua pele, a falta da essência do teu
corpo. Sinto que não sinto mais teu carinho, teu desejo, teu impulso. As mãos que te circundavam
agora escrevem, e escrevem com dor. Antes fosse ficar horas acariciando meu amor. Queria
roubar-te um beijo, um afago, encher-te de desejo. Nessas horas que eu lembro cada canto do teu
corpo, o meu reage em riste buscando teu amor. Busco tua prova, teu caminho, tua gruta onde
acontecia a cópula de nossas idéias.
Ainda me lembro dos teus braços circulando meu corpo, de suas pernas em minha cintura.
Lembro daqueles teus olhos, teus olhos de loucura. E ainda te vejo aqui em frente, desnuda e
carente, sem parar um minuto. Lembro da voracidade de teus lábios, da habilidade de tuas mãos,
lembro do desejo em teus seios e do calor de tua língua. Lembro de tudo, como se fosse agora, se
agora fosse, possuía-te por aqui mesmo.
A sua voz misturada à sua língua ainda ecoa, aquele som molhado que adentra em minha
orelha, aquele som quente que aumenta o meu calor. Tu enquanto comias minha orelha e com as
mãos buscavas, buscavas mais carinho, mais desejo, mais firmeza. Tu, que com certeza, ainda te
lembras, agora imagina, e tudo que sente transpira, transpira e dá sinais da força do seu calor.
Tu que tens esse fogo insaciável, esse desejo incontrolável, não podias a mim deixar.
Esses carinhos, os beijos e tudo. Nada que aconteceu foi esquecido, pois não é só desejo o que
marcou. Os nossos corpos que um pede outro, esquecem que em outrora fora o outro que nossas
mentes alimentou. E se some, leva contigo o carinho, deixando-me aqui sozinho, com as
lembraças do que restou.