Ouço dezenas de vezes frases precavidas daqueles que tentam mascarar as
próprias e inevitáveis crenças.
Acreditar, à propósito,vem da palavra 'kred', cujo significado é ' por o coração em '. Acreditamos muito mais do que duvidamos.
E nem seria preciso o agudo pensamento da
envergadura de um David Hume para comprová-lo.
Acreditamos em um futuro melhor para nós, para os nossos descendentes e para o nosso país.
Acreditamos no valor de face do dinheiro em nossas carteiras. Acreditamos que após dar a partida, o veículo funcionará, normalmente.
Acreditamos em uma série de promessas que os políticos sempre fazem, embora muitas das utopias tenham desaparecido completamente.
Acreditamos que após inserir o cartão do banco na fenda, conseguiremos efetuar todas as operações possíveis na máquina.
Acreditamos que o dia tem 24 horas, o ano 365 dias, quando não seja bissexto, que dois mais dois são quatro e em supostas verdades científicas, consolidadas tempos afora.
Acreditamos que as palavras designam coisas, embora muitas dessas sejam absolutamente mudas...
O mundo das finanças, incluindo o do jogo do bicho, desenvolve-se em torno da crença.
Os especialistas em ações e mercados são os maiores crentes, acompanhados dos economistas, dos cientistas e dos políticos, sempre acreditando no progresso e em dias melhores para a humanidade.
Porém basta uma pequena falcatrua, um escandalozinho, um medicamento problemático e o sistema apoiado na 'boa fé', vai por água abaixo.
Sobrevêm as crises.
Crises de crença...
Nestes momentos surgem os ' líderes ', dispostos a dar a vida por alguma nobre causa. Surgem as obras de cunho sotero-escatológico.
Surgem os 'salvadores da pátria' de última hora, acompanhados de coros de especialistas subservientes.
Acreditamos e pagamos muito caro por nossas tantas e pueris crenças.
O poder, a economia, a ciência, tiram bastante proveito delas, desde que o mundo é mundo...