Talita não hesitou em usar a autoridade quando Valdivino emitiu uma nota fiscal de mercadoria comprada na clandestinidade. Demitiu-o da loja, sem pagar os direitos sobre os beijos atrasados. Faria o mesmo com Robert, se ele balançasse na falsa baiana, durante a travessia de obstáculos.
— Joguei um capítulo na lixeira, disse ela.
— Não deveria — um livro não chega pronto e acabado como o ovo que a galinha solta na esteira de produção. Parágrafos e capítulos inteiros costumam vir desordenados; recebe-se a matéria-prima que vem não sei de onde, mas é preciso por a casa em ordem ou ordem na casa. Seria bom se pudéssemos escrever tudo sem pontuação e depois disséssemos: “Ordinário, marche” e todos os pontos, vírgulas e interrogações tomassem seus postos. É preciso que depois do lampejo, venhamos com mãos de aleijadinho e transformemos a pedra- sabão em arte e no final, sobra pouco do que se tinha antes.
Apanhou os rascunhos atirados no lixo e leu devagar.
— Mimosa! Isto aqui, isto aqui é um capítulo do livro! Sem Mimosa não teríamos Apinajé, e sem Cláudio, não teríamos Campo Grande nem as lembranças que Corina guarda da cidade e das serras.
NA
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Sete Faces Congeladas -- 2013-01-23 - 19:37:27 (Adalberto Antônio de Lima) |

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