“Muitas pessoas dizem que o sentimento religioso é inato e imprescindível ao bem-estar do ser humano. É possível que sim. Mas, recapitulando perfunctoriamente a História, não encontrei quase nenhuma Guerra que não tivesse alguma motivação religiosa”.
“O Evangelho diz que Cristo perdoou os seus algozes porque eles não saberiam o que faziam. Ora, isto, no meu modo de entender é uma incongruência. Quem perdoa deve pressupor a culpa do perdoado. E, para mim, não existe culpa alguma se alguém pratica algo de que não está consciente. Não é assim que manda o Código Penal? Não entendo de leis, mas me parece que se trata de algo como ‘inimputabilidade’.”
“O tempo pode não ser ‘o senhor da razão’, mas certamente é ‘a razão do tédio’. Com ele tudo enfada, cai na rotina, torna-se lugar comum. Até mesmo a morte.”
"Dizem que escrever é um ato de presunção! Talvez seja esta a minha maior motivação para fazê-lo, pelo menos ao nível do inconsciente. Por outro lado, paralelamente aos impulsos básicos próprios de todos os seres humanos, escrever é também um ato decisivo para a minha razão de viver. Quem sabe, a única maneira de me comunicar comigo mesmo. Ou o viés que encontrei a fim de me libertar dos grilhões da rotina, da angústia, dos momentos de desesperança e de outros fantasmas inerentes à condição humana.”
“Saúde pode ser definida; liberdade, serenidade, quem sabe a própria ‘sorte’, também. Entretanto duvido que se possa fazer o mesmo com aquilo a que chamam ‘Felicidade’. Em primeiro lugar porque é a mais subjetiva das aspirações humanas; depois, porque é praticamente insignificante o índice de pessoas que se dizem sinceramente felizes. Por outro lado, os dicionaristas costumam confundi-la com bem-estar, êxito, contentamento e, neste sentido, quase todas as pessoas seriam venturosas, pois em maior ou menor intensidade a maioria delas já experimentou ou experimentará algum dia, algo parecido com aquelas situações.”
“A vida é tutelada pela morte e esta é a sua maior e mais lógica conseqüência. Contudo, é curioso o motivo pelo qual infunde tanto pavor na maioria das pessoas. Ironicamente, só se teme a morte pelos mesmos motivos que tornam suportáveis a vida: a perspectiva de novas realizações, novos ideais, novas conquistas; numa palavra, a esperança.”
“Nada na vida é tão cruel quanto a desesperança. A pobreza convive com as humilhações e estas com o infortúnio, com a tragédia e até com a mais catastrófica das desgraças, desde que um alento mínimo de confiança no porvir - mesmo sob o envoltório tênue de remota ilusão -, ainda permeie o espírito, ou qualquer outro nome pretendido para designar a consciência humana. Contudo, a ausência absoluta de pelo menos um ideal é incompatível com a existência.”