Lendo recentemente que o Sr. Collor de Mello pretende reabrir a Casa da Dinda e retomar sua carreira política, lembrei-me de uma crônica por mim escrita em 1992, acerca das frases de efeito que o - na época - presidente, gostava de estampar nas suas camisas domingueiras.
A crônica chamava-se " AS CAMISINHAS DO PRESIDENTE " e era assim:
O presidente COLLOR governa o país de duas maneiras distintas: através das Medidas Provisórias, que fazem a alegria dos advogados em face das gritantes inconstitucionalidades nelas contidas e, de um modo bem mais sutil, com as suas camisinhas!
Quem não lembra quando ele disse que tinha " aquilo roxo " ? Pois bem, o pessoal criticou o linguajar presidencial e não passou nem dois dias e ele apareceu com uma camisa que dizia: "Roxo de amor pelo Brasil ".
Confesso que demorei um pouco para entender aquela mensagem, pois afinal o órgão que uso para demonstrar o meu amor à pátria é o coração. Só depois de muito meditar foi que consegui entender a sutileza do presidente. È que ele está usando os " aquilo roxo" para fazer " aquilo" com a gente.
O tempo passa e lá vem o presidente com mais camisas e frases. É latim, é inglês, é russo, sueco, francês e, eventualmente, português.
Enquanto isso, o povo vai " para o brejo" e os poliglotas para o dicionário, traduzir o que nos quer dizer o presidente.
Mas eu também vou aderir à moda e imprimir em minha camisa de domingo uma mensagem ao presidente; Apenas estou na dúvida se ponho uma frase em português dizendo: Invente, tente, faça de Collor um ex-presidente " ou, utilizo uma língua por ele muito apreciada e digo: " Quosque tandem, Collor, abutere patientia nostra?