Depois de muito relutar, resolvi, por insistência de amigos, visitar o Santuário de Nossa Senhora da Penha, na região sul do Estado de São Paulo. Um desses amigos me acompanhou como guia, porque ele já visitara o lugar várias vezes. Como sou um cético inveterado, fui lá pensando em visitar também a Juréia, um paraíso ecológico próximo, absolutamente maravilhoso. Esse meu amigo havia me recomendado que não interferisse no comportamento dos peregrinos, pois eles faziam qualquer coisa para agradecer a graça recebida, ou pedir outras tantas à Santa da Penha.
Assim, vagarosamente, meu amigo seguia à minha frente na longa escadaria que leva à capela. Repentinamente ouvi gritos vindos lá de cima. Em seguida vi uma senhora idosa rolando escada abaixo. Mal tivemos tempo de nos desviar quando ela passou rolando por nós e foi se estatelar no piso lá em baixo. Logo em seguida desceu as escadarias, correndo agitado, um homem mais ou menos de minha idade que perguntou ao meu surpreso amigo::
"Você não viu minha mãe passar rolando bem ao seu lado? Ela escorregou lá no alto da escadaria! Por que não a segurou?"
E respondeu meu amigo candidamente:
-Ora, me desculpe. Pensei que ela estivesse pagando promessa!