Tive um amigo, alto executivo de uma grande indústria, que um dia perdeu o emprego. Confiante em sua capacidade, mandou seu excepcional currículo para muitas companhias, mas o tempo passava e ele não conseguia se recolocar no mercado de trabalho. Seu padrão de vida foi caindo até que ele teve que vender os carros que possuía, a casa de praia, colocar os filhos em escola públicas e, finalmente, hipotecar a casa onde vivia. Desesperado começou a emprestar dinheiro de amigos – eu entre eles – sem que sua situação desse sinais de melhora. Finalmente, depois de quase três anos desempregado, uma empresa o chamou para uma entrevista. Lembro-me que o processo de recolocação durou vários e penosos meses, nos quais meu amigo se agoniava e afundava mais e mais nas dívidas. Finalmente lhe disseram que, após longa seleção, estavam qualificados para o cargo ele e mais dois outros profissionais. Numa sexta feira, após lhe darem essa notícia, disseram-lhe que aguardasse, porque durante o final de semana ele receberia um telegrama informando-o sobre quais dos três profissionais havia sido o escolhido. Disseram-lhe ainda que, se não recebesse telegrama algum, na segunda feira poderia se apresentar ao trabalho, porque teria sido ele o escolhido. Meu amigo, confiante em que seria ele o eleito, convidou a mim e outros amigos credores, para comemorar, no sábado à tarde. Contentes, levamos churrasco e cerveja, e estávamos todos festejando alegremente, quando a campainha tocou. Fez-se um silêncio sepulcral, com todos nós torcendo para não ser o carteiro. Mas era. Meu amigo pegou o telegrama com mãos trêmulas e ficou nos olhando, enquanto tentava abri-lo desanimadamente. Fomos todos saindo de fininho, amuados e já estávamos todos no jardim quando meu amigo gritou dando risadas e agitando no ar o telegrama:
- Ei! Esperem! Voltem! Foi só a mamãe que morreu!!!