Se me perguntarem donde me vem a atracção, responderei sincero que me corre no sangue: tenho de facto um natural pendor, desde miúdinho, pelos patos. Os meus pais, no jardim da casa de então, tinham um pequeno lago com palmípedes de diversas cores. Regalava-me a contemplá-los, preferentemente os récem-nados, quando eram empurrados pelo bico dos adultos para a água e de imediato se punham a nadar. Meus olhos saíam fora presos ao encanto da cena. Não me falem por isso em refeição de pato de forma alguma.
Ao cabo de todos estes anos, ao deparar-se-me a data que ocorrerá daqui a minutos, a minha imaginação esvoaça até junto das memórias de infância. E que vejo eu? Dois patinhos pequenotes, atrevidos e investigadores vão à frente; o caçulinha,aos tropeções, logo a seguir. Permanecentes, a pata-mãe e o pato macarreco vigiam dois ovos, esperança e futuro da família.
Depois de jantado, vou até São Lázaro, freguesia tripeira aonde nasci. Tem um jardim, um lago e patos. Sentar-me-ei num dos bancos. Desta distância... acreditem, é que se sente como é tão bom ser pequenino.
Dedico este texto a UMA FAMÍLIA BRASILEIRA!
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