
*Soneto Inacabado*
“Oh! Flor do Céu! Oh! Flor cândida e pura”
No jardim das ilusões sou teu escravo
Em teu olhar vejo a pureza, a doçura
Meu coração ferido qual encravo
Sofre ao ver-te, meu delírio fantasia
Sob o Céu dos sonhos teu abraço
Arrebata-me ao abismo, na melodia
Ouço teu cantar na sinfonia disfarço
A lágrima cai na face desnuda
Na noite onde os desejos pernoitam
Enquanto os ventos distantes açoitam
A existência naufraga quase muda
Vejo teu vulto no vazio, mortalha
“Perde-se a vida, ganha-se a batalha”
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NB.No centenário em homenagem a Machado
de Assis fui convidada para completar
um soneto deixado inacabado. Ele fez
apenas o primeiro e último verso.
Sonia Nogueira *sogueira*
Oh! Flor do Céu! Oh! Flor cândida e pura
Seguir o teu perfume, quem me dera
Tua presença agora me assegura
Sublime maravilha: primavera.
Tu tens esta magia da candura
E sabes dominar terrível fera,
Com tua mansidão, vital ternura
A vida de quem ama se tempera.
E mesmo quando segues outro rumo,
Apenas por te ter só um segundo
Já vale com certeza todo um mundo
E mesmo herdando trevas eu assumo
O risco de enfrentar corte e navalha:
“Perde-se a vida, ganha-se a batalha"
Marcos Loures
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