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Poesias-->A nona elegia, de Rilke. -- 05/08/2001 - 11:36 (Elpídio de Toledo) |
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Por quê, se é possível, então, levar o prolongamento da vida, como a do loureiro,
Um pouco mais pálida que todas as outras
Verdes, com pequenas ondas em cada borda da folha
(como uma risada de vento) —: por quê, então,
Ter que ser humano — e, evitando o destino,
Sentir saudades do fatal?
Oh, não, porque é sorte,
Desta afoita vantagem de uma próxima perda.
Não por curiosidade, ou por exercício de coração,
Ocorreria tal coisa, também, no loureiro...
Mas, porque estar aqui vale muito, e porque
Tudo que nos é aparente a natureza precisa descolorir,
O que, particularmente, nos diz respeito. A nós, os descorandos.
Um de cada vez, só uma vez. Uma vez e não mais.
E nós também uma. Nunca mais. Mas este
Ter sido uma vez, se, também, somente uma vez :
Ter sido mortal, parece irrevogável.
E, então, nos estimulamos e queremos realizar isso,
Queremos contê-lo em nossas simplórias mãos,
Contemplando-o todo, sem palpitações.
Queremos ser ele. — Para dá-lo a quem? Melhor
Nada perder de vista para sempre... Oh, para o outro lado
Minha Nossa Senhora, o que se pode levar? Não a visão
Que aqui
Lento aprendemos, e nada do que aqui aconteceu. Nada.
Nem dores. Principalmente, também, os nós para estar,
Nem o amor, longa experiência,— nem
o sincero indescritível. Porém, mais tarde,
Sob as estrelas, o que é isso: elas são melhor inefáveis.
Menos, também, tira o caminheiro, das encostas da serra
Um punhado de terra do vale , ela que é o todo indescritível,
[Mas,
Uma palavra lapidada, pura, a amarela e azul
Genciana. Talvez, estamos aqui para dizer: casa,
Ponte, fonte, portão, jarro, árvore frutífera, janela,—
No máximo, coluna, torre... mas, para dizer, entende-se,
Será que vale dizer assim, como a própria realidade jamais,
Em seu íntimo, pensou ser. Não é astúcia natural
Desta discreta terra, quando ela estimula os amantes
A se encantarem pelos recíprocos sentimentos ?
Limiar: o que é isso para dois amantes,
Além da própria velha soleira da porta
Que eles, também, desgastam de leve
Depois de muitos e antes de futuros outros.
Aqui está o tempo do descritível, em seu ambiente natural.
Fale e professe. Mais que nunca
Reduzem a realidade ali, as vivências, pois,
O que elas reprimindo restabelecem, é um fazer sem idéia.
Cozer a massa que irrompe dócil , tão logo
Por si mesma cresce e se limita em outra forma.
Nosso coraçâo se revela pelas batidas
Na língua, no entanto,
Entre os dentes,
Fica o elogio.
O mundo louva o anjo, não o indescritível,
A ele não deves revelar teu esplêndido sentir.; no Universo,
Onde ele sente o mais sensível, tu és desprezível
Mostre-lhe o simples que se forma de geração em geração,
Vivendo como nosso, perto das mãos e dos olhos.
Diga-lhe do real. Ele ficará pasmado, como tu ficaste
Com o cordoeiro em Roma, ou com o oleiro do Nilo.
Mostre-lhe quão propício o real pode ser, quão inocente e nosso,
Como termina em forma pura o lamentar-se um sofrimento
Serve como coisa ou morre como coisa — e para o Além
Escapa feliz do violino — E estas coisas que partem
Compreendem a realidade viva que tu enalteces.; efêmeras,
De fato, elas nos libertam, a nós, os mais efêmeros.
Querem que as reduzamos todas ao invisível coração
— oh, infinitamente — a nós! Quaisquer que sejamos, afinal.
Terra, não é isso que você quer: renascer invisível em nós?
Não é teu sonho alguma vez ser invisível?
Terra! Invisível!
Qual é o teu insistente pedido, se não há transformação?
Terra, tu, querida, eu quero. Oh, creia, não foram mais
Necessárias tuas primaveras para conquistá-la — uma,
Oh, já basta uma única ao sangue.
Anônimo, lá de longe, sou resolutamente por ti.
Sempre estiveste com a razão, e tua sagrada inspiração
É a morte íntima.
Veja, eu vivo. Antecipadamente? Nem infância, nem futuro
Serão menos... Existência supérflua
Desenvolva-me no coração.
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DIE NEUNTE ELEGIE
Warum, wenn es angeht, also, die Frist des Daseins
hinzubringen, als Lorbeer, ein weinig dunkler als alles
andere Grün, mit kleinen Wellen an jedem
Blattrand (wie eines Windes Lächeln) —: warum dann
Menschliches müssen — und, Schicksal vermeidend,
sich sehnen nach Schicksal?
Oh, nicht, weil Glück ist,
dieser voreilige Vorteil eines nahen Verlusts.
Nicht aus Neugier, oder zur Übung des Herzens,
das auch im Lorbeer wäre...
Aber weil Hiersein viel ist, und weil uns scheinbar
alles das Hiesige braucht, dieses Schwindende, das
seltsam uns angeht. Uns, die Schwindendsten.
Ein Mal jedes, nur ein Mal. Ein Mal und nichtmehr.
Und wir auch ein Mal. Nie wieder. Aber dieses
ein Mal gewesen zu sein, wenn auch nur ein Mal:
irdisch gewesen zu sein, scheint nicht wiederrufbar.
Und so drängen wir uns und wollen es leisten,
wollens enthalten in unsern einfachen Händen,
im überfüllteren Blick und im sprachlosen Herzen.
Wollen es werden. .— Wem es geben? Am liebsten
alles behalten für immer... Ach, in den andern Bezug,
wehe, was nimmt man hinüber? Nicht das Anschaun,
das hier
langsam erlernte, und kein hier Ereignetes. Keins.
Also die Schmerzen. Also vom allem das Schwersein,
also der Liebe lange Erfahrung, — also .
lauter Unsägliches. Aber später,
unter den Sternen, was solls: die sind besser unsäglich.
Bringt doch der Wanderer auch vom Hange des Bergrands
nicht eine Hand voll Erde ins Tal, die Allen unsägliche
[sondern
ein erworbenes Wort, reines, den gelben und blaun
Enzian. Sind wir vielleicht hier, um zu sagen: Haus,
Brücke, Brunnen, Tor, Krug, Obstbaum, Fenster,—
höchstens: Säule, Turm... aber zu sagen, vertehs,
ob zu sagen so, wie selber die Dinge niemals
innig meinten zu sein. Ist nicht die heimliche List
dieser verschwiegenen Erde, wenn sie die Liebenden [drängt,
dass sich in ihrem Gefühl jedes und jedes entzückt?
Schwelle: was ists für zwei
Liebende, dass sie die eigne ältere Schwelle der Tür
ein wenig verbrauchen, auch sie, nach den vielen
vorher und vor den künftigen..., leicht.
Hier is des Säglichen Zeit, hier seine Heimat.
Sprich und bekenn. Mehr als je
fallen die Dinge dahin, die erlebbaren, denn,
was sie verdrängend ersetz, ist ein Tun ohne Bild.
Tun unter Krusten, die willig zerspringen, sobald
innen das Handeln entwächst und sich anders begrenzt.
Zwischen den Hämmern besteht
unser Herz, die Zunge
zwischen den Zähnen, die doch,
dennoch, die preisende bleibt.
Preise dem Engel die Welt, nicht die unsägliche, ihm
kannst du nicht grosstun mit herrlich Erfühltem.; im Weltall,
wo er fühlender fühlt, bist du ein Neuling. Drum
zeig ihm das Einfache, das, von Geschlecht zu Geschlechtern gestaltet,
als ein Unsriges lebt, neben der Hand und im Blick.
Sag ihm die Dinge. Er wird staunender stehn.; wie du standest
bei dem Seiler in Rom, oder beim Töpfer am Nil.
Zeig ihm, wie glücklich ein Ding sein kann, wie schuldlos und unser
,
wie selbst das klagende Leid rein zur Gestalt sich entschliesst,
dient als ein Ding, oder stirbt in ein Ding —, und jenseits
selig der Geige entgeht.— Und diese, von Hingang
lebenden Dinge verstehn, dass du sie rühmst.; vergänglich,
traun sie ein Rettendes uns, den Vergänglichsten, zu.
Wollen, wir sollen sie ganz im unsichtbarn Herzen verwandeln
in — o undendlich — in uns! Wer wir am Ende auch seien.
Erde, ist es nicht dies, was du willst: unsichtbar in uns erstehn?
Ist es dein Traum nicht, einmal unsichtbar zu sein? —
Erde! Unsichtbar! —
Was, wenn Verwandlung nicht, ist dein drängender Auftrag?
Erde, du liebe, ich will. Oh glaub, es bedürfte
nicht deiner Frühlinge mehr, mich dir zu gewinnen —, einer,
ach, ein einziger ist schon dem Blute zu viel.
Namenlos bin ich zu dir entschlossen, von weit her.
Immer warst du im Recht, und dein heiliger Einfall
ist der vertrauliche Tod.
Siehe, ich lebe. Woraus? Weder Kindheit noch Zukunft
werden weniger... Überzähliges Dasein
entspringt mir im Herzen.
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