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Poesias-->Dualidade -- 25/04/2000 - 17:53 (Brenno Kenji Kaneyasu Maranhão) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos


Vi uma criança tão igual à criança que eu fui.

Os mesmos olhos sonhadores

- ora sorrindo, ora chorando, ora sonhando...

Os mesmos lábios cheios de vida

- não tinham, ainda, as dores do mundo

nem, tampouco, a indiferença dos dias.



A criança, no entanto, chorava,

E eu nada sentia.

Meus olhos, agora sem sonhos, refletiam

a indiferença do mundo, estampada

nos meus lábios, agora sem vida.



E, todos os dias, eu via a criança, e ela chorava.

E, todos os dias, eu nada sentia.

Havia perdido minha alma:

um corpo sem alma

na imensidão de um mundo

sem vida.



Mas todas as noites, ao deitar-me,

a criança que fui, em sonhos me vinha.

E eu sonhava e chorava.

Tinha a face oculta sob a penumbra do mundo,

e meu corpo sem alma, profundamente, dormia.



Silêncio. Meu corpo dormia...



A criança, no entanto, gritava

(no meu sonho era dia!)

E tudo era desespero e remorsos

na alma sem corpo

que chorava dentro de mim.



Brenno Kenji

17.01.2000

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