LEGENDAS |
(
* )-
Texto com Registro de Direito Autoral ) |
(
! )-
Texto com Comentários |
| |
|
Poesias-->Seguindo passos -- 15/02/2002 - 09:23 (Ademir Garcia) |
|
|
| |
Tu, que andas em passos de gazela,
atravessas toda tarde meu passeio,
não percebes uma porta sem tramela,
fazes pouco em auscultar meu anseio.
É tão pouco, mas em riscos ponho,
de manhã nada fecho e solto trincos,
perambulo à espreita de um aceno,
vigiando as sombras pelos postigos.
Benfazejo a meus olhos nas manhãs,
quanto também te vejo caminhando,
mas, se te perco ao dobrares a rua,
revejo-te a mexer na banca de maçãs.
Tu, que nem mesmo sei se és mestiça,
me encantas e importunas os sentidos,
és dengosa, de silhueta amena e altiva,
com gestos incertos, porém precisos.
Como posso esconder-te as palavras,
ó ! rapariga de todos os dias na calçada,
se meus olhos te perseguem pela vida,
fixando seu andar de pessoa delicada.
Se desejo envolver-me em delito,
cerro punhos na promessa de dormir,
vislumbro porém tão perfeita tua boca,
como se úmida me estivesse a sorrir.
Quando o tédio espelha em meu rosto,
qualquer brisa que sopra sem direção,
fico tácito como quem recebe carícias,
imaginando serem do calor da tua mão.
Ó ! Rapariga, já não te escondo nada,
nem meus anseios a balbuciar palavras,
sobre querer te abraçar o corpo inteiro,
e com beijos mostrar-te como és amada.
AdeGa/96
|
|