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Poesias-->ALMA VIÚVA -- 02/04/2002 - 17:33 (ALEXANDRE FAGUNDES) |
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_____Quero (mas sei que não conseguirei)
Escrever algo feroz,
algo que meta medo, que intimide.;
Que faça você pensar duas vezes
antes de dizer até breve
em tom de adeus eterno.
Sim, se pudesse escrever algo duro...
Algo cruel e frio
ou algo quente que até queimasse!
Que magoasse você!
Talvez, com o gosto da mágoa na boca,
você não quisesse me ferir com essa mesma arma...
Mas, não, não acredito que seja capaz...
Que eu... que eu seja capaz de não gaguejar,
não vacilar entre o papel e o lápis.;
Não acabar escrevendo algo fraco,
Algo feito de dores só minhas, egoístas.
Algo que não lhe cause dor alguma.
Ah, se eu pudesse atacá-la!
Sim, machucá-la antes de ser machucado!
Calá-la de medo antes de meu próprio emudecimento.;
Cercá-la de insegurança antes do sumiço do meu chão.;
Deserdá-la, desenganá-la, desnorteá-la antes de me perder.
Fazer você precisar de mim!
Mas sei que não conseguirei.
Sei que não vencerei este desafio.;
Então assumo – desde já - a pena da perda.
Minha força – se há - terá de manifestar-se no luto.
Velório, caixão, despedida e desgosto.
Minha alma viúva veste preto e verte vermelho...
ALEXANDRE FAGUNDES - 02/ABR/2002
LEIA, DO AUTOR ALEXANDRE FAGUNDES, AS POESIAS
"INFERNO EM MIM", "AMARGURA" E "CONTRA A MARÉ"
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