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Poesias-->VIDA NOSOCOMIAL -- 22/08/2002 - 12:45 (HELTRON ISRAEL) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Já sufocado e sem poder parar,

Cansado em meio a tanta confusão,

Eu vejo um homem doente me chegar

Neste último minuto do plantão.



Olhando o seu penar, eu lentamente

Levanto do incessante ambulatório

E sigo para perto do paciente

Pois seu estado é grave. É notório.



Então pergunto:O que é que o Sr. sente?

Pode dizer de onde é que o Sr. Vem?

(Porque neste plantão um TUDO BEM?

Ou BOA NOITE? Nunca é conveniente.)



Não posso ouvir sequer um verso lógico

Nos seus murmúrios altos quase histéricos,

Mas olho nos seus olhos patológicos

E vejo os negros olhos já ictéricos.



Esquálido, o seu corpo paralítico

Treme e eu mando aplicar a maior dose

Porque o seu distendido abdome ascítico

Parece-me bastante com cirrose.



“Meu Deus! Beber, beber até morrer.

Passar a madrugada fria inteira

E amanhecer bem junto a escarradeira.

Que lema mais difícil de entender!”



Começa cuspir sangue num momento

E aos poucos vejo os olhos revirando,

Porque com 10 varizes já sangrando,

Não pode-se conter o sangramento.



Vede! O último suspiro de um coitado,

Ninguém lhe assiste a angústia derradeira,

De todos companheiros cultivados

Somente a ingratidão lhe é companheira.



Provou e aproveitou tudo de graça,

Mas quando a festa rica se acabou

Nenhuma das orgias lhe chegou

Quando chegou a mórbida desgraça!



É difícil tornar-se um homem doente!

Chorar a dor de ver morrer a vida

E sentir que ninguém honestamente

Notou-lhe a triste lágrima caída.



Procurar em si mesmo a culpa enorme.;

Sentir o imenso peso da verdade

E então desesperado enquanto dorme

Lembrar da ostentação e da vaidade.



Fatalmente como era previsível,

Aos poucos, a pressão já colapsada,

Converge-se para uma irreversível

E instantânea cardíaca parada.



Conforme manda o hodierno protocolo,

Começo a reanima-lo sem motivo,

Pois acho que é pior mantê-lo vivo.

(A morte era o seu único consolo)



É... Não é fácil ver o horror alheio,

Ver a morte bem perto já chegando

E os doentes inúmeros chorando

Pelo alívio da cura que não veio.



Mas, no ofício de um médico zeloso,

Entre as dores das almas moribundas

E ingratidão das vidas infecundas

Resta-me este consolo muito honroso:



Só eu soube nos últimos instantes,

Dos segredos e medos do vivente,

E embora a ingratidão seja presente

Também fui um dos seus acompanhantes.

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