"O trabalho começa com um prólogo que se segmenta em duas partes. O primeiro é uma declaração breve da posição do autor. Sua audiência deveria julgá-lo pelas suas intenções, até mesmo se ela não concordasse completamente com ele. Ele conta, então, como enfocará o problema do amor:
Assumi uma tarefa
para o bem do mundo
e alegria de nobres corações,
aqueles corações pelos quais o meu bate,
e aquele mundo no qual meu coração olha.
Não falo para homens comuns,
como aqueles ali, dos quais ouço
que nenhuma tristeza podem suportar
e que querem viver somente alegres para sempre.
Possa Deus isso lhes conceder.
Para tais pessoas e para este modo de vida
nada quero dizer.
O modo de vida delas é completamente diferente do meu.
Falo para pessoas bem diferentes,
as que trazem em seus corações:
doce amargura, adorável tristeza,
satisfação sincera e agonia de saudade,
vida feliz, morte triste,
morte feliz, vida triste.
Esta vida quero também viver,
entre tais pessoas, quero ser pessoa também,
perecer com elas ou ser mais feliz.
Estou com elas até agora
e gasto meu estoque de graça com elas.
Elas podem me ajudar
em minhas necessidades e sofrimentos.
A todas elas apresentei
meu trabalho para discussão,
a fim de aliviá-las, com minha narrativa,
da tristeza que as acompanha,
ou, pelo menos, possam minorar
suas dores pelo caminho.
Assim, pra quem tem algo diante dos olhos,
e se ocupa disso com imaginação,
fica mais fácil cuidar de suas dificuldades naturais."